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Meryl Streep rejeita críticas de Cameron por filme sobre Thatcher

Premiê questionou o retrato da "Dama de Ferro" idosa e doente

Meryl Streep rejeita críticas de Cameron por filme sobre Thatcher
Meryl Streep rejeita críticas de Cameron por filme sobre Thatcher Foto : Leon Neal / AFP / CP
A atriz americana Meryl Streep, que encarna a Margaret Thatcher em "A Dama de Ferro", rejeitou, nesta sexta-feira, em Paris, as críticas do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que questionou o momento em que esse filme foi feito, retratando a ex-governante idosa e doente. "É mais um filme sobre o envelhecimento e elementos de demência do que sobre uma primeira-ministra estupenda", lamentou Cameron, unindo sua voz à de muitos conservadores que criticam o fato de Thatcher, a controversa primeira e até agora única chefe de Governo britânica, ser apresentada como uma idosa frágil e abalada por uma demência senil.

A atriz, de 62 anos, vencedora de Oscars, respondeu destacando que o retrato da mulher que governou o Reino Unido com mão de ferro durante dez anos busca "penetrar no ser humano, em um momento de solidão, no final de sua vida" e que as críticas têm a ver com o estigma que acompanha a senilidade. "O retrato que fazemos dela, que sofre de um dos 41 tipos de demência, não é desrespeitoso. É doloroso, mas é verdadeiro. É a vida", afirmou Streep em uma coletiva de imprensa realizada num luxuoso hotel de Paris.

"Se a tivéssemos mostrado tossindo ou mancando, ninguém teria protestado. Mas há um estigma especial que acompanha a demência. As pessoas a consideram vergonhosa", afirmou a atriz.

A cinesta britânica Phyllida Lloydl, que dirige o longa, também às críticas de Cameron, afirmando que confirmam que no Reino Unido, Thatcher, agora com 86 anos, "é considerada uma santa, um ícone ou um monstro". "Acreditamos que esse debate está atrofiado. Queríamos contar outra história, a de sua ascensão ao poder em um mundo de homens, suas memórias, sua solidão", disse Lloyd.

"Queríamos mostrá-la no final da vida, nesse momento de silêncio, de solidão. Ver a totalidade de uma vida, que foi intensa, turbulenta. Quais são, no fim das contas, os momentos importantes em uma vida. Não para a história", destacou Streep. "Além disso, se Cameron considera desrespeitoso o filme, me pergunto o que ela diria se o ouvisse perguntar em uma rádio por que não esperar e fazer o filme quando ela estiver morta", disse a atriz.

Como quase todos, Cameron elogiou, no entanto, a "sensacional e assombrosa" interpretação da protagonista, a atriz americana Meryl Streep, que pode ser indicada pela 17ª vez ao Oscar pelo filme, que estreia nesta sexta-feira no Reino Unido. Ao ser questionado sobre qual ator gostaria que o interpretasse no cinema, Cameron se negou a responder e declarou ter "certeza", entre risos, de que nunca farão um filme sobre ele.

Há uma década que a ex-governante britânica, que ganhou a alcunha o título de Dama de Ferro durante o conflito pelas Malvinas, não fala em público, depois que os médicos a desaconselharam em consequência de pequenos ataques de apoplexia que causaram confusão e perda de memória. Nos últimos anos, suas aparições sociais foram raras.

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