A experiência de universos culturais diversos moldou a arte de De Chirico, na qual as cidades aparecem como reinterpretações simbólicas de arquiteturas específicas. É o caso de locais como a Igreja de Santa Maria Novella, em Florença, a Mole Antonelliana, de Turim, e a Gare Montparnasse, de Paris, que, segundo a curadora Maddalena d’Alfonso, “vêm acopladas como fragmentos em única composição tornada harmônica pela luz, pela tonalidade e pela matéria pictórica”.
Por isso, a proposta curatorial da exposição que vem ao Brasil é justamente a de examinar sua propensão à arquitetura, tomando como campo de pesquisa a cidade e seus cenários, amplamente representados em suas obras. O objetivo é oferecer ao visitante uma leitura do espaço urbano “dechirichiano” e mostrar como o artista relaciona a figura e o espaço arquitetônico.
A neometafísica foi a última aventura artística de De Chirico, em um movimento caracterizado pela exultação por meio do uso da cor e pelo caráter poético do tratamento dado aos protagonistas, bem como pelo especial e inovador uso do espaço como palco da relação entre o homem moderno e o seu mundo. Nos trabalhos desse período, são típicas as figuras dos arqueólogos e dos manequins. Nesse ponto, há um encontro evidente entre sua obra e a de Iberê Camargo, de quem De Chirico foi professor e mestre, tendo dado aulas ao jovem artista brasileiro em Roma, entre 1948 e 1949.
“Iberê sempre relatava esse período, que foi muito forte para ele. Foi um momento de absorção de modelos”, destaca Mônica Zielinsky, coordenadora do projeto de catalogação da obra de Iberê Camargo. A mostra depois seguirá para o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Visitação de terças a domingos, das 12h às 19h, e nas quintas, das 12h às 21h.
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