É a primeira vez que os organizadores do evento escolhem um autor contemporâneo para as homenagens que se espalham por diferentes espaços da Flip - estão previstos debates e exposições. "O Brasil tem uma relação cruel com seus autores. Depois que morrem, passam 10, 20 anos numa espécie de limbo até que eles começam a ser reeditados. Eu quis dar uma resposta imediata a essa morte", justifica Paulo Werneck, curador da Flip. Millôr, que esteve na primeira edição da festa fluminense, em 2003, quando dividiu o palco com o jornalista Ruy Castro, sofreu um acidente vascular cerebral em 2011 e morreu um ano depois.
A ideia é explorar as múltiplas faces de Millôr, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo entre 1996 e 2000 - ele foi humorista, artista gráfico, caricaturista, cartunista, escritor, dramaturgo, jornalista. "Millôr era o mundo da Flip num homem só: traduzia Shakespeare com erudição e fazia cartum nos anos 1950, quando a forma não era reconhecida."
Com a homenagem, novos livros devem ser lançados e edições antigas podem ganhar cara nova. A agente literária Lucia Riff, que representa a obra do autor, diz que L&PM e Nova Fronteira continuam com os direitos da obra dele, mas adianta que outras edições estão sendo preparadas por novas casas editoriais. Com a morte do escritor, seu acervo foi doado para o Instituto Moreira Salles pelo filho Ivan, e daqueles 7 mil itens pode sair muito material.
Nos planos da L&PM estão "Millôr 3 em 1", previsto para breve com "É, Millôr Definitivo" e "Liberdade, Liberdade", e ainda reedições, no formato convencional, das peças já publicadas em edições de bolso.