Arte & Agenda

“Minha Melhor Amiga” e “Pressão” chegam aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 03 de setembro

Crítico de cinema Marcos Santuario
Crítico de cinema Marcos Santuario Foto : YouTube / Reprodução / CP

Esta primeira quinta-feira de setembro, chega aos cinemas com gargalhadas, monstros, guerra, crime, romance, arquitetura e uma boa dose de absurdo. Se há semanas em que a programação parece seguir uma tendência, esta prefere a desordem. E talvez seja justamente aí que esteja sua graça e seu diferencial.

Confia no vídeo:

Entre os lançamentos internacionais, “Idiotas”, de Macon Blair, transforma uma simples viagem de carro em uma descida vertiginosa ao caos. Dave Franco, O'Shea Jackson Jr. e Peter Dinklage estão no centro de uma história que começa com dois motoristas encarregados de levar um adolescente rico e problemático até uma clínica de reabilitação. Só que o jovem passageiro não está interessado em chegar tranquilamente ao destino. Drogas, perseguições, criminosos e decisões cada vez mais desastrosas entram no roteiro. A estrada, que deveria ser apenas caminho, vira o próprio problema. E a comédia nasce da velha constatação de que, às vezes, quanto mais tentamos controlar uma situação, mais idiotas ficamos.

“O Sorveteiro”, de Eli Roth, leva o terror para uma praia aparentemente tranquila. O problema é que os picolés começam a transformar crianças em criaturas violentas. A premissa já anuncia o tom definido que o medo pode chegar colorido, gelado e com sabor de infância. Roth conhece as regras do gênero e brinca justamente com aquilo que deveria ser inocente. O resultado é o encontro do horror com o absurdo, uma combinação capaz de transformar até a sobremesa em ameaça.

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“Pressão” muda radicalmente de registro e mergulha nas horas decisivas que antecedem o Dia D, quando o clima se torna uma variável capaz de colocar em risco uma das maiores operações militares da História. É um lembrete de que, em determinados momentos históricos, o destino de milhares pode depender não apenas de estratégias, armas e decisões humanas, mas também de algo tão imprevisível quanto a natureza.

E do Brasil chega “Minha Melhor Amiga”, de Susana Garcia, coloca Ingrid Guimarães e Mônica Martelli juntas em comédia sobre amizade, maturidade e aquela saudável recusa em aceitar que a vida tenha prazo de validade. Duas mulheres na casa dos 50 anos atravessam a rotina e embarcam para a Europa.

A viagem, mais do que geográfica. É oportunidade de olhar para escolhas, afetos, desejos e para a possibilidade de continuar se reinventando quando a sociedade insiste em dizer que já deveríamos ter aprendido a nos comportar. E a intensidade é maior ao saber que as filhas estarão no caminho. Em meio à diversidade temática e narrativa das telonas, é o cinema brasileiro lembrando que existe aventura em simplesmente viver.

Em um olhar mais apurado sobre as temáticas nas telas, percebemos que a unidade dos filmes tão diferentes esta na capacidade de transformar cotidiano em experiência extraordinária. Adolescente pode tornar uma viagem um inferno, picolé pode esconder monstro, mudança no tempo pode ameaçar uma operação militar, e uma viagem entre amigas pode se transformar numa espécie de acerto de contas com a própria vida.

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