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“Minions & Monstros” chega aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 02 de junho

Crítico de cinema Marcos Santuario
Crítico de cinema Marcos Santuario Foto : YouTube / Reprodução / CP

Entre monstros amarelos e fantasmas existenciais o cinema prova, nas estreias desta quinta-feira, que ainda há espaço para todas as histórias. Duas delas sintetizam essa diversidade de maneira quase simbólica. De um lado, “Minions & Monstros”, uma explosão de humor, tecnologia de animação e entretenimento familiar. Do outro, “Franz”, cinebiografia do escritor Franz Kafka dirigida por Agnieszka Holland, que transforma a vida de um dos maiores autores do século XX em um mosaico dramático sobre criação, angústia e legado. Poucos lançamentos poderiam representar de forma tão clara as inúmeras possibilidades do cinema atual.

Confira o vídeo:

A nova aventura dos Minions mostra como a animação deixou há muito tempo de ser um território exclusivamente infantil. A Illumination utiliza ferramentas digitais cada vez mais sofisticadas para construir universos visualmente exuberantes, movimentações quase impossíveis há poucos anos e uma narrativa que mistura humor físico, referências ao próprio cinema e ritmo acelerado. O resultado é uma experiência pensada para crianças, mas igualmente recheada de camadas capazes de divertir adultos que cresceram acompanhando esses pequenos personagens amarelos.

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A própria premissa já brinca com a indústria cinematográfica. Os Minions conquistam Hollywood, tornam-se celebridades, colocam monstros à solta e precisam salvar o planeta da confusão criada por eles mesmos. É uma sátira leve sobre fama, espetáculo e cultura pop, construída com a linguagem veloz que caracteriza a animação contemporânea.

FRANZ KAFKA

No extremo oposto está “Franz”. Enquanto uma produção aposta na velocidade e no riso, a outra convida o espectador à contemplação. A diretora Agnieszka Holland evita biografia convencional e constrói retrato fragmentado de Franz Kafka, respeitando a sua sensação de inquietação permanente diante do mundo. Exatamente aquilo que eternizou sua literatura.

A narrativa não linear acompanha diferentes momentos da vida do escritor, desde a infância em Praga até seus últimos dias, costurando memórias, relações familiares, amizades, conflitos internos e a influência que sua obra continua exercendo mais de um século depois. Não se trata apenas de contar quem foi Kafka, mas de investigar como nasce um pensamento capaz de atravessar gerações e permanecer assustadoramente atual.

É curioso perceber que ambos os filmes falam, cada um à sua maneira, sobre imaginação. Em um caso, monstros literalmente escapam para o mundo. No outro, os monstros são invisíveis, e há burocracias, medos, culpas, inseguranças e as estruturas que aprisionam o indivíduo. Temas que fizeram de Kafka autor indispensável para compreender a modernidade.

Essas estreias também desmontam uma falsa oposição frequentemente criada entre entretenimento e arte. O cinema não precisa escolher um único caminho. Há espaço para o espetáculo tecnológico que reúne famílias durante as férias escolares, assim como para obras que desafiam o público a refletir sobre literatura, história e condição humana.

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