Arte & Agenda

Mississippi Delta Blues Bar encerra atividades na Estação Férrea de Caxias do Sul

Seu palco recebeu importantes nomes do blues

Apresentação de James Cotton (1935 - 2017) é considerada uma das melhores do Mississipi, segundo Bagoso
Apresentação de James Cotton (1935 - 2017) é considerada uma das melhores do Mississipi, segundo Bagoso Foto : Rosebudy Agnecy / Divulgação / CP

Referência na América Latina, integrando circuitos de turnês internacionais de importantes nomes do gênero, como John Primer, Bob Stroger, James Cotton, Lazy Lester, Mud Morganfield,  J. J. Thames, Tia Carroll e Wee Willie Walker, o Mississippi Delta Blues Bar anunciou o fechamento de suas portas na Estação Férrea de Caxias do Sul. Foram 13 anos e oito meses de intensa programação semanal, com shows de artistas do Estado e do Brasil e de três convidados internacionais ao mês.

O proprietário Toyo Bagoso diz que o Mississipi deixa um legado cultural imaterial para as pessoas que acabaram absorvendo para si a cultura do blues. Segundo ele, mesmo o Mississipi fechando as portas, o blues já se tornou parte da cidade, como, por exemplo, a parceria com a rádio da universidade UCS FM, que toca blues direto na sua programação. "O bar acabou agregando pessoas de todas a idades que gostavam de blues, mas também do rock, funk e soul, tornando-se um local turístico", afirma.   

Bagoso comenta que o decreto da prefeitura, que suspendeu o funcionamento dos serviços não essenciais por causa da pandemia do coronavírus, se somou a outros fatores. Conta que é totalmente favorável ao isolamento social e está em quarentena no Rio de Janeiro, mas revela que desde o ano passado estava enfrentado dificuldades, com confusões registradas na Estação Férrea em decorrência de festas sem autorizações prévias, brigas e a falta de segurança pública. O que acabou afastando os frequentadores do bar. Acrescido a isso, a Estação Férrea nunca passou por uma revitalização e o espaço era usado como estacionamento.

Mesmo com todas essas dificuldades, Bagoso salienta que é uma pena sair da Estação Férrea, onde a cidade historicamente começou e o bar também. “Acredito que nunca deram o valor merecido ao local. Nunca foi feito investimento público, o pouco que teve foi privado”, pontua. No momento, a intenção é levar o bar para outro lugar. No ano passado, o empreendimento ocupou uma “casinha” (replica que relembra uma casa antiga) no pavilhão da Festa da Uva, onde nos finais de semana há uma intensa circulação de pessoas.  

Ele conta que sentiu que havia potencial para funcionar no pavilhão, com segurança e boa infraestrutura. Bagoso entrou em contato com os organizadores do local, mas a informação é que tudo está parado e somente no final do ano terão um posicionamento.  

Em função desta espera, Bagoso resolveu fazer um leilão virtual com vários objetos e peças do Mississipi. Entre eles, brinca o proprietário, está um antigo piano em torno do qual o bar foi construído.  A cada semana, novos itens vão entrar no leilão online.

Outra ação está programada para o dia 23 de maio, quando será promovida, junto com o SESC e o projeto Mesa Brasil, uma ação que transmitirá um conteúdo por 12 horas dos shows que passaram pelo bar. Será uma espécie de despedida do bar, com a intenção de arrecadar alimentos para doação posterior.  

Bagoso confirma a edição 2020 do Mississipi Delta Blues Festival para os dias 19, 20 e 21 de novembro, com o tema Clarksdale Edition. No entanto, não será na Estação Férrea, pois o festival tinha uma conexão com o bar. Como o bar fechou, ele pensa em transferir o festival para outras áreas de Caxias do Sul. Uma opção seria a Maesa, um complexo de fábrica, considerado patrimônio da cidade. Mas, ele sabe que o MDBF deverá se adaptar a todas as orientações sanitárias que estiverem vigentes no futuro. "O momento é de preservar a saúde. Os negócios recuperamos depois", finaliza.   

 

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