Nesta terça-feira e na quarta-feira, a peça ”Curiosa Mente, do fim do mundo ao começo” marca presença entre as atrações do Porto Verão Alegre 2022, no Teatro de Arena (av. Borges de Medeiros, 835, alto do Viaduto). O monólogo é protagonizado por Oscar Simch, que assina a direção e roteirização do espetáculo.
No palco, Simch reúne oito relatos sobre personalidades e acontecimentos extraordinários que levam a audiência em uma viagem pelo tempo e pelo espaço. Entre os personagens evocados estão o poeta alemão Goethe: “nos mostra um incrível passeio que fez entre o belo e a transcendência”, explica o ator. Além de Ana Akhmátova, que segundo o intérprete, “reinventa o jeito de produzir beleza, a poetiza russa, proibida de manifestar-se, usa uma lição da história para continuar produzindo sua obra sem ser molestada”. O cineasta Manoel de Oliveira, o astrônomo Kepler, o cantor jamaicano Bob Marley, o artista dadaísta Marcel Duchamp, o dramaturgo Bertold Brecht e o cientista Demócrito de Abdera, são as personalidades que ganham vida através da atuação de Simch.
A peça não tem uma ordem cronológica exata, “na sucessão das histórias, o tempo se expande e se contrai ativando no espectador uma ordem emocional com resultado caleidoscópico”. Tudo é embalado por uma trilha sonora executada ao vivo pelo teclado de Jottagá Souza Gomes. Além da iluminação intimista feita por Maurício Moura, que destaca as diversas atmosferas.
Com um vasto currículo de minisséries, longas e peças, Simch já foi agraciado com dois Troféus Açorianos como ator e um como diretor. Ele estreou “Curiosa Mente” no Porto Verão Alegre 2021, no mês de junho, no palco do Theatro São Pedro, sem presença de plateia. “Ali foi feita uma gravação em vídeo do espetáculo e posteriormente transmitida on-line para uma audiência pagante”, lembra o ator. Agora, no Teatro de Arena, serão a terceira e quarta apresentações desta peça, também com presença restrita. “Tal penúria descreve bem a extrema dificuldade do fazer artístico no momento atual”, reflete Simch.
Quando o assunto é inspiração, o ator fala sobre a sua curiosidade pelas coisas e pessoas. “Na pandemia, pela redução forçada das atividades diárias, me vi com tempo livre para estudar e pesquisar sobre coisas que já me interessavam”, comenta. Apesar do tempo extra, “as muitas dificuldades de produção me fizeram optar pela criação de um espetáculo enxuto e dinâmico”, explica Simch.
Assim nasceu a ideia do monólogo, que carrega também, seus grandes desafios. Segundo o artista algumas das dificuldades são: manter o interesse e a atenção do público sozinho, sem contracenação, manter a performance com alto vigor físico, sem descanso, por todo o tempo da apresentação, é um exercício pleno para o trabalho da memória e deve-se manter a serenidade ao mesmo tempo em que realiza uma entrega emocional sem limites. Simch vê a peça com grande potencial, “nesse momento em que vivemos, acho construtivo usar o espaço do teatro para refletir sobre o tempo que resta para a raça humana refundar a compreensão acerca do único planeta que pode acolher-nos”, finaliza.
*Sob supervisão de Adriana Androvandi