Para entender um pouco por que essas nove canções unem pais, filhos e netos, basta ouvi-las como são: delicadas, roqueiras, contemplativas e suingadas, numa ode à alegria que, como querem os românticos, tem o poder de harmonizar as diferenças. Além de recriar composições do histórico disco entre elas, “Preta, Pretinha” e “Brasil Pandeiro”, na apresentação Moraes Moreira narra ao público detalhes sobre a criação do LP; as gravações; a convivência com os Novos Baianos, com João Gilberto e sua carreira.
Gravado em 1972, “Acabou Chorare” foi o segundo disco do grupo Novos Baianos. Tudo começou em Salvador, onde Tom Zé apresentou o melodista Moraes ao letrista Luiz Galvão. Juntaram-se a eles Pepeu Gomes e Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor, além do baixista Dadi (que depois integraria o grupo A Cor do Som), e outros músicos misturando mambo, tango, xote, samba e rock. Mas foi em 1970, após conhecerem João Gilberto, que os Novos Baianos mudaram o rumo e se deixaram influenciar pelo samba e pelo tropicalismo. No show desta quarta-feira, Moraes Moreira e Davi Moraes, pai e filho, estarão acompanhados por Augusto Albuquerque (baixo), Marcos Molleta (guitarra e cavaquinho), Cesinha (bateria) e Repolho (percussão).