Morreu nesta terça-feira, dia 22, aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura. Com mais de 60 anos de carreira, ele se destacou pela atuação na imprensa brasileira e pela cobertura de acontecimentos políticos e questões sociais que marcaram diferentes períodos da história do País. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, também jornalista, e Elisa Ventura, editora.
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Zuenir ocupava a Cadeira nº 32 desde 2014, quando foi escolhido para suceder o escritor Ariano Suassuna. Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, construiu uma trajetória profissional diversificada antes de se consolidar no jornalismo. Trabalhou como pintor de paredes, office-boy, arquivista e professor universitário, além de ter praticado basquete.
Durante a formação acadêmica, teve contato com nomes importantes da literatura brasileira, entre eles Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli. A experiência com esses intelectuais contribuiu para sua aproximação com o meio jornalístico e acadêmico. Na Faculdade de Jornalismo, foi convidado pelo professor Celso Cunha para lecionar português e, posteriormente, por indicação de Hélcio Martins, conseguiu uma oportunidade no arquivo do jornal Tribuna da Imprensa, onde iniciou sua trajetória na imprensa.
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Um dos trabalhos mais conhecidos de Zuenir Ventura foi o livro “1968 – O ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra revisita acontecimentos políticos e culturais daquele período e se tornou uma referência sobre o contexto brasileiro durante a ditadura militar. O livro também serviu de base para a minissérie “Anos Rebeldes”, da TV Globo. Um dos capítulos da publicação, “Um herói solitário”, ainda inspirou o filme “O homem que disse não”, produzido para a televisão francesa pelo cineasta Olivier Horn.
No ano seguinte ao lançamento do livro, Zuenir viajou ao Acre como repórter especial para acompanhar as investigações sobre o assassinato do seringueiro e líder ambientalista Chico Mendes. A cobertura resultou em uma série de reportagens premiada e também em um episódio que marcou sua vida pessoal. Durante a apuração, o jornalista conheceu Genésio, então adolescente e uma das principais testemunhas do crime, que estava sob proteção policial e sofria ameaças. Zuenir decidiu assumir a tutela do garoto, que passou a viver com sua família até completar 18 anos.
Ao longo da carreira, Zuenir recebeu importantes reconhecimentos do jornalismo brasileiro, entre eles o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog. A trajetória do jornalista foi marcada pela produção de reportagens, livros e análises sobre a sociedade brasileira, combinando a experiência jornalística com a reflexão sobre períodos decisivos da história do País.