Arte & Agenda

Morre atriz e diretora Lúcia Bendati aos 47 anos

Artista foi encontrada morta em casa nesse sábado

Aos 47 anos, atriz foi encontrada morta em sua casa na tarde desse sábado
Aos 47 anos, atriz foi encontrada morta em sua casa na tarde desse sábado Foto : Luciane Pires Ferreira / Divulgação / CP
Foi com a música "Amanhecer" de Gilvan e Fernando Brant, que integrou a trilha do grupo mineiro Ponto de Partida, da qual a atriz e diretora Lúcia Bendati era fã, que ocorreu sua despedida, neste domingo, no Cemitério João XXIII, repleto por músicos, atores, bailarinos, produtores e diretores. A artista de 47 anos, bastante atuante na cena local, foi encontrada sem vida na tarde desse sábado em sua casa, por sua irmã, Maria Mercedes Bendati. Segundo fontes próximas, ela sentia fortes dores de cabeça desde a última segunda-feira e na sexta passou mal. O laudo não foi divulgado, mas cogita-se que a causa tenha sido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Filha do artista gráfico Aníbal Bendati e da jornalista Iara Bendati, ambos professores universitários e já falecidos, ela era graduada em Interpretação Teatral pelo Departamento de Artes Dramáticas (DAD) da Ufrgs, tendo trabalhado com vários diretores, em espetáculos infantis e adultos. Iniciou a carreira nos anos 1980, na Cia. Teatro Novo, tendo participado de mais de 30 peças, como “Medeia”, “Boca de Ouro”, “Rainha do Lar”, “Dona Gorda”, “All That Fall”, “A Canção de Assis”, “Gnomos”, “Peter Pan”, “Pinóquio”, “Os Saltimbancos” e “Pluft, o Fantasminha”. Entre as que dirigiu estão “A Cãofusão, uma Aventura Legal pra Cachorro” e “Nina, o Monstro e o Coração Perdido”.

Com algumas experiências juntos e um afinamento em cena, o ator e diretor gaúcho Marcelo Adams declara que ela "era uma mulher obstinada, doce, bem-humorada, às vezes teimosa, mas de um coração muito sensível, que sabia ver poesia nas pequenas coisas que nos cercam”. Seu amigo desde 1997, no DAD, teve seu primeiro texto infantil, "A Cãofusão...", dirigido por Lúcia. Após esta parceria, outro texto seu foi interpretado pela atriz, “Au Au”, no Natal Luz de Gramado, com direção de Margarida Peixoto.

Foi em Capão Novo que o músico e ator Álvaro Rosacosta conheceu Lúcia Bendati, no bar Ponto 4, onde ela atuava como garçonete; ambos com 16 anos, participantes de saraus de violão. Ela começou a fazer oficinas com o diretor Ronald Radde, da Cia. Teatro Novo e logo foi para o elenco principal , estreando com "O Menino da Cabeça de Cebola". Foi por indicação da amiga que em 1990 ele entrou no grupo, cuja sede fica no DC Shopping. Conheceram a coreógrafa Carlota Albuquerque, da Cia de Dança Terpsí e fizeram "Lautrec",s eparando-se em 1998, quando ela começou a trabalhar com Néstor Monastério. Dividiram o palco em "Boca de Ouro, do Depósito de Teatro e voltaram a trabalhar juntos em "A Cãofusão", a partir da história de "A Dama e o Vagabundo", ganhador de onze prêmios, que marcou a criação do grupo Clareira de Teatro.

Em 1993 assistiram juntos o grupo Ponto de Partida, de Barbacena (MG), e a partir da sensação e encantamento com o espetáculo Lúcia sonhou fazer um musical. Fizeram o teste para "Godspell, a Esperança" e dividiram o palco mais uma vez. "Era era minha amiga, seja na alegria ou nas brigas. Tinha uma verdade, posicionamento de líder, era atenta a tudo e via as possibilidades das pessoas", declara Álvaro.

Extremamente comovida, a exemplo de inúmeros autores, produtores, atores, diretores ou quem tivesse compartilho o convívio com Lúcia, a equipe do espetáculo "O Mal Entendido", em cartaz na Sala Álvaro Moreyra, decidiu manter as apresentações do final de semana em homenagem à amiga. "Adeus minha amada Frosina. Contigo aprendi a rir de mim mesmo, a me jogar em cena só pelo prazer do ridículo e que podemos prender a atenção de uma platéia apenas levantando a sobrancelha. Aprendi contigo também que sempre é possível arrancar da dor força prá superar. Quando teu pai morreu, nós estávamos em temporada com O Avarento e lá estava tu fazendo a platéia rolar de rir, a tua tristeza transformava-se em arte. Quando colocavas teu vestido vermelho, a pluma no cabelo e os inseparáveis leques, a vida a tua volta ganhava outro sentido. Foi pensando em tudo isso que hoje encontrei forças prá entrar em cena. A dor é grande", foram as palavras de Elison Couto, no Facebook.

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