O jornalista e radialista Sérgio Roberto Dillenburg morreu neste domingo em Porto Alegre, aos 92 anos. O profissional foi um dos fundadores do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Musecom). Por meio das redes sociais, o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Musecom) emitiu uma nota de pesar sobre o falecimento do jornalista O velório está ocorrendo neste domingo, 21 de junho, no Cemitério São Miguel e Almas, na Capela H, entre 16h e 19h. O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) presta sua solidariedade aos familiares e colegas de profissão e agradece a contribuição histórica desse importante profissional para a comunicação gaúcha.
Nascido em Porto Alegre em 6 de agosto de 1933, Sérgio Dillenburg é jornalista por formação, escritor, fez parte do corpo docente da universidades Unisinos e Feevale. Ele foi o idealizador, organizador e primeiro diretor do Musecom, fundado em 1974, em Porto Alegre, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, com a finalidade de guardar, preservar e difundir a memória dos meios de comunicação no Estado.
O jornalista começou sua carreira no radiojornalismo motivado por um desejo que carregava desde a infância, período que assistia aos programas de auditório da Rádio Gaúcha. Aos 11 anos, a família Dillenburg se mudou para Santa Cruz do Sul, e com o apoio do irmão marista Ernesto Devis, conhecido como irmão Fidêncio, teve aulas de redação, e de como se apresentar em público. Em 1951, o irmão Fidêncio resolveu criar um programa na emissora local, e Dillenburg foi um dos convidados, juntamente com outro aluno, para apresentar o programa na rádio local. Em 1955, ainda em Santa Cruz do Sul, resolveu procurar um emprego fixo, no qual trabalhou durante treze anos. Paralelamente às atividades bancárias, Dillenburg se aproximava do rádio. Na década de 1960, passou no vestibular da Ufrgs para jornalismo. Em 1963, junto com um grupo da universidade formado por dois ou três colegas, resolveu criar um programa, na rádio da Universidade, chamado “Clube de Jornalismo”. Durante esse programa, Sérgio e os amigos editavam, apresentavam e faziam entrevistas cujas cópias ele guardava até os dias de hoje. A meta de Dillenburg sempre foi o rádio, mas sempre acabava pendendo para o jornal impresso, trabalhando na antiga revista do Globo e no jornal de Santa Cruz do Sul, A Gazeta do Sul.
Dillenburg trabalhou como repórter do Correio do Povo entre 1971 a 1974, onde toda a semana surgia com uma nova matéria no jornal. Nos anos 1980, fazendo matérias culturais, observou que muitos dos documentos históricos do Estado e da imprensa estavam sendo esquecidos e perdidos. Anos mais tarde, foi lecionar na Unisinos (1974 a 1991) e na Feevale (1980). Dilleburg teve um programa semanal na rádio Universidade que se chamava “Reencontro com a Universidade”, na década passada.
Ele foi autor de obras fundamentais sobre a mídia local, incluindo "Correio do Povo: História e Memórias" e "Os Anos Dourados do Rádio em Porto Alegre". Recebeu, em 2014, a Comenda Porto do Sol da Câmara Municipal de Porto Alegre por suas contribuições à preservação da memória da imprensa.
Segue a nota de pesar do Musecom
É com profundo pesar que o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa lamenta o falecimento do jornalista Sérgio Roberto Dillenburg.
Sua trajetória se entrelaça de forma indissociável com a história da instituição, especialmente por sua atuação decisiva na liderança do movimento de criação do Museu de Comunicação. Sua mobilização, visão e capacidade de articulação foram fundamentais para que o projeto do Museu se consolidasse como um espaço de preservação da memória da comunicação no Rio Grande do Sul.
Ao longo desse processo, o jornalista mapeou acervos, mobilizou instituições, a sociedade e o poder público em torno da importância de salvaguardar acervos, histórias e práticas ligadas ao campo da comunicação.
Entendemos que o MuseCom, em sua existência e em sua missão, mantém como parte de seu legado a iniciativa e o compromisso de Dillenburg com a comunicação, memória e a cultura. E nos orgulhamos profundamente em celebrar e eternizar o seu nome em nossa hemeroteca. Ao reconhecer a relevância de sua trajetória e de sua contribuição para a criação do MuseCom, nos solidarizamos com familiares, amigos e todos aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele.