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Morre Irene Santos, fotógrafa dedicada à memória negra de Porto Alegre

Artista e historiadora deixa legado na valorização da cultura afro-brasileira e na preservação da história da população negra da capital gaúcha

Irene Santos morreu aos 78 anos
Irene Santos morreu aos 78 anos Foto : Irene Santos / Divulgação / CP

A fotógrafa, artista-pesquisadora e historiadora Irene de Figueiredo Santos morreu nesta terça-feira, dia 27, aos 78 anos. Natural de Porto Alegre, dedicou sua trajetória à fotografia e à pesquisa histórica, com trabalhos voltados à valorização da cultura afro-brasileira e à preservação da memória negra na Capital gaúcha. A informação foi confirmada pelo Coletivo Almas Retinta. Irene será velada na quinta-feira, dia 29, os detalhes sobre o local e os horários serão divulgados no Instagram @almasretintas.

Graduada em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em 1971, Irene conciliou a investigação histórica com a produção artística. Em 1979, abriu seu primeiro estúdio fotográfico e passou a se dedicar integralmente à fotografia, desenvolvendo projetos relacionados às artes cênicas, à música e às artes visuais.

Entre suas exposições estão “Dramática — Retrato de Atriz” (1986), no Theatro São Pedro; “Solilóquio” (1988), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs); e “Arcanos Imaginários” (1991), na Casa de Cultura Mario Quintana.

Uma de suas principais contribuições foi o livro “Negro em Preto e Branco — História Fotográfica da População Negra de Porto Alegre”, publicado em 2005 com financiamento do Fumproarte. A obra reúne imagens e histórias que ajudam a reconhecer a participação da população negra na formação social e cultural da cidade. Em 2006, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria Literatura Especial.

Em 2010, Irene publicou “Colonos e Quilombolas — Memória das Colônias Africanas de Porto Alegre”, aprofundando sua pesquisa sobre a história da comunidade negra. Também realizou o webdocumentário “Outros Carnavais — Memória do Carnaval de Rua de Porto Alegre, 1930-1969”, em 2014.

No ano de sua morte, a trajetória da artista foi celebrada com a exposição “A Força da Memória”, inaugurada em setembro no Museu da Ufrgs. Realizada em parceria com o Coletivo Almas Retintas, a mostra marca os 20 anos do livro “Negro em Preto e Branco” e resgata fotografias e registros históricos da população negra porto-alegrense, juntamente com a sua produtora e documentarista Lizandra Moraes. A visitação gratuita está prevista até 18 de dezembro.

Para Irene, a fotografia também era uma forma de reivindicação histórica.

“Assim como Anastácia, que foi impedida de falar, nós estamos falando com os olhos. O livro surgiu para ser um grito de protesto”, afirmou na apresentação da exposição.

A continuidade de seu legado está entre os objetivos da Casa Celestina, projeto que prevê a preservação e a disponibilização digital de seu acervo. Em 2027, o projeto "Sem Drama” também pretende celebrar os 40 anos de trajetória artística da fotógrafa.

Por meio de livros, exposições e registros visuais, Irene Santos contribuiu para ampliar a visibilidade de histórias frequentemente ausentes das narrativas oficiais. Seu trabalho permanece como parte da memória cultural de Porto Alegre e da luta pelo reconhecimento da presença negra na história da cidade.

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