Margot Benacerraf chegou ao festival de Cannes acompanhada da mãe e de uma lata com a sua obra-prima, "Araya", debaixo do braço. Era 1959, ano do início da sua cruzada para promover o cinema venezuelano, objetivo pelo qual lutou até a morte, nesta quarta-feira, 29, aos 97 anos. A família de Benacerraf relatou a morte em Caracas da premiada cineasta, fundadora da Cinemateca Nacional da Venezuela (1966), viveiro de novas gerações de cineastas e promotora de festivais de cinema no país.
Benacerraf fez dois filmes: "Reverón" (1952), curta-metragem em homenagem ao pintor venezuelano Armando Reverón, considerado um dos artistas mais importantes do século XX na América, com quem foi a Cannes em 1953, e depois " Araya" (1958), uma docuficção poética sobre a vida dos trabalhadores das minas de sal do nordeste do país, que foi indicada à Palma de Ouro no ano seguinte. "Orfeu Negro" foi o vencedor, mas "Araya" recebeu o prêmio da crítica internacional, FIPRESCI, e lançou Benacerraf à fama.
Benacerraf permaneceu ativa até pouco antes de sua morte, sempre apostando com grande intensidade no cinema venezuelano. E "Araya" continua sendo um clássico, seu legado.