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Morre o artista plástico gaúcho Mário Röhnelt

Pintor e desenhista, natural de Pelotas, faleceu na tarde deste domingo, um dia após completar 68 anos<br /><br />

Morre o artista plástico gaúcho Mário Röhnelt (à esquerda)
Morre o artista plástico gaúcho Mário Röhnelt (à esquerda) Foto : Facebook / Reprodução / CP
O artista gaúcho Mário Röhnelt morreu na tarde deste domingo aos 68 anos, completados no sábado. Ele sofria do mal de Parkinson e estava hospitalizado há 15 dias. Röhnelt participou do grupo de desenhistas KVHR (1978/80) e da Associação Espaço NO (1979/82). Em 2014, o Margs dedicou-lhe retrospectiva com 200 trabalhos e curadoria de José Francisco Alves. Em 2015, expôs no Museu Leopoldo Gotuzzo (Pelotas). A última mostra foi em 2017 na Galeria de Arte da ESPM, com uma série nova de objetos. O velório será neste segunda-feira, das 8h às 12h, na Angelus (Porto Alegre, 320) e a cremação após o meio-dia.

Mário Röhnelt começou na arte em um ambiente tumultuado e contestador – auge da Ditadura Militar – cuja formação optou pela via independente, paralela e acompanhada pelos seus estudos em arquitetura (1970/72, na Ufrgs). Esta opção consciente, em desejar ao mesmo tempo fazer arte e obter uma profissão afim, chama a atenção pelo fato de o artista não ter buscado nem o Atelier Livre da Prefeitura, nem o Instituto de Artes, as duas instituições de ensino de arte da capital gaúcha.

Suas aspirações, no mesmo período, adquiriram um impulso definitivo pela afinidade e aproximação com o então acadêmico de arquitetura Milton Kurtz (1951-1994), com o qual passou a morar junto e estabelecer ateliê. Este foi um momento decisivo para Mário Röhnelt, cuja produção constituiu-se a partir desse compartilhamento artístico e intelectual com Kurtz, cujas conexões mútuas marcaram definitivamente a ambos. Tanto a produção de um quanto outro, obras autônomas, altamente originais e independentes ente si (no sentido de autorais), são resultado dessa circunstância específica, ou seja, desenvolveram-se como tal por estarem interligadas.

Sua primeira – e grande – fase como desenhista, foi a qual um grafismo primoroso cercou-se de motivos ligados ao seu quotidiano, centrado na figura humana (sua própria imagem e de seus próximos), com base em fotografias que fazia ou se apropriava. Estes desenhos paulatinamente foram incorporando a cor em profusão até o trabalho ter encontrado na segunda metade dos anos 80 várias questões pertinentes à pintura. Constitui-se, assim, a segunda fase marcante do artista: as pinturas em acrílica sobre tela e as pinturas em papel, extremamente coloridas e complexamente elaboradas.

O rigor e o exímio técnico do desenhista-pintor redimensionou em princípios nos anos 1990 o seu sempre presente interesse pela fotografia como assunto, e assim surgiu um numeroso conjunto branco e negro de pinturas sobre tela/lona e desenhos (sobre papel) sobre papel em branco e negro. Em pouco tempo, em razão do estabelecimento das artes gráficas por software, essa produção desdobrou-se com as impressões de grandes proporções cuja “matrizes” Röhnelt as produziu digitalmente. Produziu muitos livros de artista (início dos anos 1980 até o presente). Foi um dos mais atuantes designers de livros de exposições e de arte, bem como capista por anos em conceituada editora nacional, com sede em Porto Alegre.

Mesmo enfermo, com doença degenerativa em crescente resultado em sua saúde, a partir de 2015, continuou a produzir, mas inovando, com nada menos que esculturas, pequenos objetos feitos com papel, plástico, os quais aproveitavam mesmo reaproveitando as caixas dos medicamentos que tomava.

Após suas retrospectivas (com curadoria de José Francisco Alves) de 2014, no MARGS, e em 2015 em sua cidade natal, em Pelotas (Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo), continuou a expor. Em 2017, expôs obras novas na Galeria de Arte da ESPM, em especial a série nova de objetos.

*Colaborou o Doutor em História da Arte pela Ufrgs, José Francisco Alves

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