O ator Jairo de Andrade, um dos símbolos da resistência à ditadura militar nos anos 1960 e 1970, morreu neste sábado, 30 de dezembro, aos 88 anos, em Campo Bom. Ele havia sofrido um AVC em 2015 e em abril de 2022 havia perdido a companheira Marlise Saueressig, com 75 anos de idade. Segundo depoimento do filho Camilo a um portal da região, ele havia sido internado na sexta, dia 29, com pneumonia e problemas nos rins. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. O velório foi realizado na manhã e início da tarde deste domingo em Campo Bom e a cremação será realizada no meio da tarde.
Jairo de Andrade foi um dos fundadores do Teatro de Arena em 1967. O autor do livro "Teatro de Arena – Palco de Resistência" (Libretos), o jornalista e escritor Rafael Guimaraens lamentou a morte de um dos principais colaboradores desta obra:
"Jairo de Andrade foi um gigante. Um dos nomes mais importantes da Cultura gaúcha durante o período de resistência democrática à ditadura. Um visionário que enxergou em um porão inundado de esgoto a possibilidade de construir um pequeno teatro que logo se revelou uma cidadela. Um refúgio iluminado dos que, em meio à escuridão, procuravam a Arte, o encontro, a conversa, para alimentar o espírito. O Teatro de Arena foi sua casa, sua e da Marlise, e ali recebiam os amigos: gente de teatro, estudantes, trabalhadores, lutadores sociais, sonhadores, músicos, poetas, seresteiros, namorados. E ali ofereciam banquetes inesquecíveis: Brecht, Sartre, Dias Gomes, Nelson Rodrigues, Vianinha, Boal, Plínio Marcos, Guarnieri, Consuelo de Castro. E ali serviram Mockinpott, algo que o público de Porto Alegre jamais havia visto coisa parecida. Jairo, teimoso, brigão, corajoso, humanista até os ossos. Um imprescindível”, disse Rafael em conversa por whatsapp.
A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS), Instituto Estadual de Artes Cênicas e Teatro de Arena emitiram nota nas redes sociais lamentando a morte:
"A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) lamenta o falecimento do ator Jairo de Andrade. Nascido em Uruguaiana em 1935, foi ator, diretor e, ao lado do Grupo Teatro Independente (GTI), fundador do Teatro de Arena, em 1967. O Estado perde, hoje, um grande e ilustre personagem do teatro de resistência e um dos principais nomes do teatro gaúcho”.