Arte & Agenda

Morre o engenheiro de som Marcos Abreu, referência da música e da acústica no Rio Grande do Sul

Velório do profissional, admirado em todo o Estado, será realizado neste sábado, 8h às 14h, no Angelus Memorial e Crematório, seguido de cerimônia de despedida

Marcos Abreu morreu aos 64 anos
Marcos Abreu morreu aos 64 anos Foto : Leli Baldissera / Divulgação / CP

Morreu nesta sexta-feira (3), aos 64 anos, em Porto Alegre, o engenheiro de áudio e acústica Marcos Abreu, um dos profissionais mais respeitados do setor no Rio Grande do Sul e responsável pela masterização de milhares de discos ao longo de mais de três décadas de carreira. Segundo o músico Marcelo Corsetti, que acompanha a família nos trâmites no Hospital Ernesto Dornelles, Abreu estava internado há cerca de uma semana. A causa da morte não foi informada. O velório será realizado neste sábado, das 8h às 14h, no Angelus Memorial e Crematório – Sala 11 (avenida Porto Alegre, 320, bairro Medianeira). A cerimônia de despedida será realizada após as 14h e a cremação do corpo será igualmente no Angelus.

Abalado com a perda do amigo, o músico Marcelo Corsetti definiu Marcos Abreu como "genial, grande e generoso". Mais do que um técnico, Marcos Abreu era reconhecido no meio artístico pela precisão e pelo rigor na busca da excelência sonora. Sua atuação nos bastidores ajudou a moldar o som de milhares de gravações e consolidou um legado que permanece registrado em discos, salas de concerto, teatros e acervos históricos.

Ao longo da carreira, trabalhou com artistas de diferentes estilos e gerações, entre eles Vitor Ramil, José Miguel Wisnik, Nei Lisboa, Cachorro Grande, Fresno e Renato Borghetti, além de inúmeros músicos da cena gaúcha e brasileira. Seu trabalho também chegou ao exterior, com projetos realizados na Argentina e nos Estados Unidos.

Especialista em restauração sonora, dedicou-se à recuperação de registros históricos a partir de fitas analógicas e discos de 78 rotações. Entre os trabalhos de maior destaque estão a restauração das gravações do maestro Leopold Stokowski, realizadas entre 1927 e 1935 e disponibilizadas para um acervo internacional dedicado ao regente, além da recuperação de parte da obra de Arnold Schoenberg para o Arnold Schoenberg Center, em Viena, na Áustria.

Na área de acústica e sonorização, Marcos Abreu deixou sua marca em importantes espaços culturais e projetos arquitetônicos na capital gaúcha, como o desenvolvimento acústico da Sala de Recitais da OSPA, do Teatro Unisinos e dos estúdios da Casa de Cinema de Porto Alegre. Em reconhecimento à contribuição para a produção musical gaúcha, recebeu, em 2000, uma Menção Especial do Troféu Açorianos pelo conjunto de sua obra.

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