Arte & Agenda

Morre o escritor Ariano Suassuna

Autor de um clássico como "O Auto da Compadecida" estava internado desde segunda-feira

Ariano Suassuna tinha 87 anos
Ariano Suassuna tinha 87 anos Foto : Laira de Souza Sampaio / Divulgação / CP
O País perde mais um grande escritor neste mês de julho. Morreu nesta quarta-feira o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, aos 87 anos. Suassuna estava internado na UTI Neurológica do Real Hospital Português, no Recife. Neste mês o Brasil perdeu João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ivan Junqueira.

Em agosto do ano passado, Suassuna sofreu um infarto do miocárdio e um aneurisma cerebral. Autor de obras como "O Auto da Compadecida", "Uma mulher vestida de sol" e "Romance da Pedra do Reino", Ariano Suassuna foi o idealizador do Movimento Armorial, na década de 1970 - arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina em todas as áreas música, dança, artes plásticas. É membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Nascido em João Pessoa, quando a capital paraibana ainda se chamava Nossa Senhora das Neves, em 1927, ainda adolescente, Ariano Vilar Suassuna foi morar no Recife, onde terminou os estudos secundários e deixou seu nome marcado na cultura literatura brasileira, especialmente no teatro e na literatura.

Em 1946, na capital pernambucana, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, junto com o amigo Hermilo Borba Filho. No ano seguinte, escreveu sua primeira peça teatral, "Uma Mulher Vestida de Sol", seguida de "Cantam as Harpas de Sião" e" Os Homens de Bar". Em 1955, escreveu sua obra mais popular," Auto da Compadecida", que conta as aventuras de dois amigos, Chicó e João Grilo, no Nordeste brasileiro. A peça foi adaptada duas vezes para o cinema, em 1969 e 2000.

Suassuna continuou criando, escrevendo peças de teatro, romances e poesias. "O Santo e a Porca", "Farsa da Boa Preguiça" e "Romance d’A Pedra do Reino" e o "Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" são algumas das dezenas de obras dele. A maioria delas foi traduzida para outros idiomas, como francês, alemão, espanhol, inglês e holandês. Em 1989, passou a ocupar a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras.

Carismático, Suassuna esbanjou simpatia por onde passou. Mais recentemente, apresentou sua “aula-espetáculo” por todo o Brasil, onde ensinou formas de arte para o público e mostrou a riqueza da cultura do país, contando histórias, “causos” e piadas. Suassuna mostrou ao povo brasileiro como ele é inventivo, engraçado, esperto e interessante e provou que não existe nada do lado de lá das fronteiras que possamos invejar.

Em uma de suas últimas passagens por Brasília, Suassuna encerrou a aula-espetáculo valorizando, não sua obra, mas a de outro brasileiro. O escritor citou o filósofo Matias Aires como exemplo da qualidade nacional, mas também como um resumo da sua própria trajetória, "e da de todos nós", neste mundo.

“Quem são os homens mais do que a aparência de teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida. Ninguém escolhe o seu papel, cada um recebe o que lhe dão. Aquele que sai sem fausto, nem cortejo, e que logo no rosto indica que é sujeito à dor, à aflição, à miséria, esse é o que representa o papel de homem. A morte, que está de sentinela, em uma das mãos segura o relógio do tempo. Na outra, a foice fatal. E, com esta, em um só golpe, certeiro e inevitável, dá fim à tragédia, fecha a cortina e desaparece”, disse, então, Ariano Suassuna..

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