Morreu na tarde desta terça-feira (22), em Canela, na Serra Gaúcha, aos 56 anos, o mágico Hugo Moraes. Natural de Curitiba (PR), Hugo Moraes e Silva Neto residia havia quatro anos no município, onde trabalhava como artista e mágico na Terra Mágica Florybal, com apresentações diárias. A causa da morte não foi revelada.
Hugo era integrante da Associação dos Mágicos do Paraná (MAGIPAR), entidade da qual foi um dos fundadores, e também associado à Associação dos Mágicos do Rio Grande do Sul (AMAR). No último sábado (19), esteve em Porto Alegre para participar de um evento de mágica, onde se apresentou ao público.
Com formação em mágica, teatro, circo e ventriloquia, Hugo iniciou a trajetória artística ainda na adolescência. Aos 16 anos, em 1987, foi contratado para interpretar Peter Pan e realizou cerca de cem apresentações no Paraná. Na mesma época, participou de um festival de mágica em Porto Alegre, experiência que considerava um marco no início de sua carreira profissional.
Ao longo da trajetória, especializou-se em apresentações para o público infantil. Defendia a expressão “mágica para crianças” e destacava a necessidade de preparação, linguagem e cuidados específicos para esse tipo de espetáculo.
Segundo o mágico Delfus, de Curitiba, amigo e um dos primeiros mestres de Hugo, ele já demonstrava interesse e dedicação ao estudo da mágica aos 14 anos. Os dois se conheceram quando Hugo, então estudante, procurou Delfus para uma entrevista destinada ao jornal da biblioteca de sua escola. A partir do encontro, estabeleceram uma amizade e uma relação de aprendizado.
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Hugo frequentava a residência de Delfus para estudar os livros de sua biblioteca, muitos deles em inglês, idioma predominante na literatura especializada em mágica disponível naquele período. Durante alguns anos, também viveu no Rio de Janeiro, onde sua mãe residia, e teve contato com a comunidade de mágicos da cidade, ampliando sua formação artística.
Em 2009, representou o Brasil no Festival Latino-Americano de Mágica (FLASOMA), como artista convidado da gala dedicada ao público infantil. Ao longo da carreira, participou de mais de 65 festivais de mágica no Brasil e no exterior. E em 2014, recebeu o Troféu Julio Lipan, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido na área de mágica para crianças no Brasil. Quatro anos depois, em 2018, recebeu a Comenda e o título de Doutor Honoris Causa em cerimônia realizada na sede da OAB do Rio de Janeiro.
Em Canela, Hugo atuava diariamente na Terra Mágica Florybal, onde construiu parte importante de sua trajetória nos últimos anos. A morte do artista deixa familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores.
Hugo deixa a companheira, Luciana, os filhos Leonardo e Mariana, um neto e o boneco Fuchico, personagem que o acompanhou durante anos em suas apresentações.