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Morre o produtor musical Sepé de Los Santos, aos 78 anos

Ator, dublador, produtor fonográfico e curador musical, proprietário do Espaço 373, faleceu às 12h desta sexta no Hospital Humaniza; ele havia sofrido AVC isquêmico no final de 2024

Ator, dublador, produtor fonográfico e curador musical Sepé de Los Santos, morto nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, em Porto Alegre
Ator, dublador, produtor fonográfico e curador musical Sepé de Los Santos, morto nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, em Porto Alegre Foto : Joana Berwanger / Divulgação / CP

O ator, dublador, produtor fonográfico, curador musical e proprietário da casa de espetáculos Espaço 373, de Porto Alegre, Sepé Tiaraju de Los Santos, morreu ao meio-dia desta sexta-feira no Hospital Humaniza, em Porto Alegre, aos 78 anos de idade. Ele havia sofrido um AVC isquêmico no final de 2024 e desde então estava hospitalizado, com uma pequena passagem em casa no mês passado. O velório do corpo do produtor musical será realizado na capela 03 do Crematório Metropolitano, neste sábado, 1º de março, das 10h às 18h.

Sepé ou Sepeh como preferia ser chamado era visto todas as noites de quinta a domingo no Espaço 373, casa de espetáculos com os grandes nomes do jazz, do blues, da MPB e da música instrumental nacional e internacional, localizada no bairro Floresta, perto do Shopping Total. No primeiro semestre de 2024, Sepé e sua companheira Silvana Beduschi inauguraram o Palco Paulo Moreira em homenagem ao jornalista cultural e crítico musical morto em dezembro de 2023. Em sua história, como dublador e ator, Sepé foi a voz Cícero da Super-Pizza, com o bordão "Tlês, tlinta, tlinta, tlrinta"; e também do Stock, parceiro de Wood em "Wood & Stock, Sexo, Orégano e Rock and Roll", longa de Otto Guerra, feito sobre os quadrinhos de Angeli.

Na adolescência, Sepeh criou com o irmão Tibiriçá e o amigo Hermes Aquino o grupo de voz e violão "Siris do Imbé", que se apresentava em programas musicais da TV Piratini, junto com Geraldo Flach em seus conjuntos de baile e em festivais universitários. Em 1968, Sepeh conheceu uma turma que veio do Rio de Janeiro para se apresentar no "ArquiSamba", um evento que os alunos da Arquitetura da Ufrgs promoviam. Eram eles Artur Verocai, Danilo Caimmy, Eduardo Conde, Joice, Luli e Lucinha, Paulinho Tapajós e Beth Carvalho. no palco.

Enquanto cursava o primeiro ano na Faculdade de Direito do Vale do Rio dos Sinos, ele foi atrás dos amigos no Rio. Durante um ano, enquanto estudava, gravava vocais para a Rede Globo e as gravadoras Continental e Polygram e, cada vez mais, frequentava o ambiente musical do Rio de Janeiro e conhecia pessoas interessantes. O Leme era o ponto de encontro para nomes como Naná Vasconcelos, Robertinho Silva, Milton Nascimento, Ivan Lins, Tavito, Toninho Horta e Zé Rodrix.

Em 1971, o produtor musical da Polygram, Paulinho Tapajós disse a Sepeh que o diretor do selo da Phillips, Roberto Menescal, precisava de um assistente de produção e convidou-o para trabalhar. Foi o primeiro emprego no meio, primeiro como assistente de produção e depois como diretor. A estreia foi como assistente de produção de Carlos Lyra, que acabara de chegar do exílio nos Estados Unidos.

Durante este período, conviveu e trabalhou com Carlos Lyra, Chico Buarque, Elis Regina, Jorge Ben Jor, Luiz Melodia, Maria Bethânia, MPB4, Nara Leão, Tom Jobim e Wilson Simonal, e produziu o primeiro compacto da música que lançou Rauk Seixas, "Let me sing, let me sing".

Em 1976, Sepeh retornou a Porto Alegre. Trabalhou na agência de publicidade MPM, dirigindo spots e produzindo e criando jingles. Logo depois criou em sociedade com o músico Geraldo Flach a Plug. A produtora fonográfica foi a mais premiada no Rio Grande do Sul, tendo 22 prêmios do Salão da Propaganda, três prêmios regionais dos Profissionais do Ano, Produtora do Ano no Festival da ABAP, Ouro no Colunistas do Ano Nacional, finalista em Cannes, vencedor do Festival Ibero-Americano de Publicidade, entre tantos outros.

Em 2006, epeh seguiu sozinho para uma nova empreitada, a Fon-Fon Music, até que em 2016 conheceu a empresária Silvana Beduschi, e desse amor, no ano seguinte nasceu o Espaço 373. Uma das casas de show mais importantes de Porto Alegre não poderia ter melhor curadoria. Sepeh de Los Santos, dono de um ouvido absoluto, reconduziu a Capital para um cenário musical de alto nível. Nomes importantes da música internacional, nacional e local marcaram esse novo tempo, bem como novas descobertas no palco que recebeu o nome de Paulo Moreira. Aliás, pisar no palco do Espaço 373 é abraçar a história, o reconhecimento público e respaldo de Sepeh Tiaraju de Los Santos e Paulo Moreira.

A 9ª edição do Santander Poa Jazz Festival que será realizado de 7 a 9 de março, no Centro de Eventos do Barra Shopping Sul, terá uma homenagem dos organizadores ao legado do produtor fonográfico, curador musical e empresário Sepé de Los Santos. Além da atual companheira Silvana Beduschi, ele deixa os filhos Daniel, Rita, Diego e Pedrinho, e netos.

  • Texto com colaboração da jornalista Roberta Amaral)

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