O Museu da Universidade Feral do Rio Grande do Sul (avenida Osvaldo Aranha, 277), em Porto Alegre, recebe a partir deste sábado, 5 de abril, às 10h30min, a exposição “KYA – Tramas, Teias e Redes Guarani Mbya e Jurua”, com visitação gratuita até o mês de agosto de 2025.
Com curadoria do artista e pesquisador carioca Lucas Icó, a mostra é uma construção coletiva com o grupo de Artistas e Artesãos da Tekoa Anhetengua, localizada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, e reúne obras de artistas indígenas e não indígenas em uma trama viva de criação, saberes e reexistência.
“KYA”, palavra guarani que significa “rede” ou “teia” de aranha e de outros seres, é também metáfora para os processos de encontro, criação e troca entre artistas Guarani Mbya, pesquisadores e pensadores de diferentes origens.
A exposição apresenta obras de arte, esculturas, registros audiovisuais, fotografias, murais, redes tecidas e experiências coletivas, refletindo sobre o tempo prolongado dos processoscriativos e os vínculos formados entre pessoas com diferentes visões de mundo.
Entre os destaques da exposição que abre hoje estão os trabalhos do grupo de canto Teko Guarani, da ceramista e escultora Antonia Garai, do tecelão Rubén Franco, do fotógrafo Vherá Poty e do realizador audiovisual Jorge Morinico. Também participam pesquisadores guarani como Laercio Karaí e Araci da Silva, além de artistas e pesquisadores não indígenas como o Ecomuseu Urbano (Cláudia Zanatta e Vado Vergara), Cristina Ribas e o artista inglês Sol Archer.
A exposição inclui redes artesanais confeccionadas com fibras naturais de guajuvira e algodão, fruto de oficinas de tecelagem, ministradas por Rubén Franco com participação de tecelães guarani e jurua. Também apresenta esculturas em barro que representam animais da mata, murais feitos com pigmentos naturais da terra, fotografias de Vherá Poty com o fotógrafo gaúcho Danilo Christidis e instalações audiovisuais a partir do média-metragem “Guata” (2022), com direção de Jorge Morinico e João Maurício Farias, que trata do caminhar como prática existencial e cosmopolítica dos Guarani.
CURTA-METRAGEM
Outro destaque é o curta-metragem “Pequeno Sol” (2025), realizado no Centro Histórico de Porto Alegre pelo grupo Teko Guarani, Lucas Icó e Sol Archer. A exposição conta com um espaço de consulta a referências bibliográficas e um mapeamento interativo da cidade como território indígena, conduzido por Laercio Karaí, João Maurício Farias e Guilherme Maffei.
“KYA” propõe atenção aos modos de coexistência e criação entre vidas humanas e mais que humanas, indígenas e não indígenas, em um gesto de escuta e respeito à pluralidade de tempos, formas de vida e territórios. Durante o período da mostra, haverá rodas de conversa, visitas mediadas e outras atividades formativas. Um catálogo será lançado ao final como registro e desdobramento das experiências da exposição.
A proposta da exposição “KYA” surgiu em meio à colaboração com o grupo de Artistas e Artesãos da Tekoa Anhetengua (Lomba do Pinheiro, Porto Alegre) – colaboração iniciada em 2020 com os pesquisadores e realizadores de audiovisual Jorge Morinico e João Mauricio Farias durante a pesquisa para o documentário “Guata” (2023).
Esse processo coincidiu e é parte da pesquisa de doutorado que Lucas Icó vem desenvolvendo no Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Ufrgs. Ao longo dos anos, muitos caminhos e descaminhos levaram a que mais interlocutores e processos de pesquisa e criação confluíram nesta trama.
SERVIÇO
- O QUÊ: Exposição “KYA – Tramas, Teias e Redes Guarani Mbya e Jurua”
- QUANDO: Abertura no sábado, dia 5 de abril de 2025, às 10h30min
- COMO: Visitação de 7 de abril de 2025 a 8 de agosto de 2025, de segundas às sextas, das 8h às 18h. A última entrada é feita até as 17h45
- AGENDAMENTO: Para visitas de grupos, agendar no site do Museu da Ufrgs pelo www.ufrgs.br/museu/agende-sua-visita/
- QUANTO: Entrada Franca