Arte & Agenda

Mostra de Cinema de Tiradentes premia vencedores

O filme “Deuses da Peste” foi o vencedor da Mostra Olhos Livres e na Mostra Autora, o melhor filme pelo Júri Jovem foi o sergipano “Um Minuto é uma Eternidade para quem Está Sofrendo”

Premiados da edição 2025 da Mostra Tiradentes foram conhecidos na noite deste sábado
Premiados da edição 2025 da Mostra Tiradentes foram conhecidos na noite deste sábado Foto : Léo Lara / Universo Produção / Divulgação / CP

Depois de nove dias de atividades, a 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos mais importantes eventos do audiovisual brasileiro com foco no experimentalismo, premiou na noite deste sábado, 1º de fevereiro os vencedores desta edição 2025. Com programação gratuita, foram exibidos curaras e longas-metragens de diversas regiões do país. Além das exibições, encontros e debates envolveram representantes de diversos setores da cadeia do audiovisual.

O evento exibiu 140 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, prestou homenagem a personalidades do audiovisual, promoveu seminários, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas.

O filme “Deuses da Peste”, foi o vencedor da Mostra Olhos Livres, a mais importante do evento. Dirigido por Tiago Mata Machado e Gabriela Luíza, o longa ganhou Troféu Carlos Reichenbach; na Mostra Autora, o melhor filme pelo Júri Jovem foi o sergipano “Um Minuto é uma Eternidade para quem Está Sofrendo”, de Fábio Rogério e Wesley Pereira

O júri, composto por Juçara Marçal, Carlos Francisco, Cíntia Gil, Rita Vênus e Paulo Maya, justificou dizendo que o filme "começa do meio e não se estabiliza em lugar nenhum, com a coragem de experimentar o desvio". Além disso, a obra foi elogiada por "usar múltiplas materialidades e ferramentas de linguagem para expandir a percepção da matéria filmada". “Deuses da Peste” é o quarto longa-metragem com direção de Tiago Mata Machado.

Na Mostra Aurora, o Júri Jovem, formado por Clara Prado, Duds Tuts, Giulia Belmonte, Otávio Osaki e Sofia Carlos, escolheu como Melhor Longa o sergipano “Um Minuto é uma Eternidade para Quem Está Sofrendo”, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro. O júri justificou a escolha por ser "um filme que nos incita à vulnerabilidade que é própria do erro" e que "abre casa, corpo e palavras para toda a significação possível a partir do princípio do desejo".

O Júri Popular votou em sua maioria em “3 Obás de Xangô”, de Sergio Machado, como Melhor Longa-metragem. Já o prêmio de Melhor Curta pelo Júri Popular ficou com “Dois Nilos”, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro.

O Prêmio da Crítica Abraccine, na Mostra Autorias, foi para “Parque de Diversões”, de Ricardo Alves Jr. O júri, composto por André Guerra, Bárbara Demerov e Ismaelino Pinto, destacou a "originalidade e ousadia ao revelar uma realidade oculta" e a "capacidade de ressignificar um espaço de lazer a partir de uma lógica de prazer em suas múltiplas camadas".

O Prêmio Helena Ignez, dedicado ao destaque feminino da Mostra e dado pelo Júri Oficial, foi entregue à atriz Ticiane Simões, por sua atuação em “Entre Corpos”. O Júri destacou sua "precisão nos gestos, postura e olhar impenetrável", comparando sua presença cênica a "um enigma, uma esfinge irresistível".

Pela Mostra Foco, o Júri Oficial premiou o curta “Entre Corpos”, de Mayra Costa, por ser "sensualmente prosaico, numa colagem obsessivamente erótica dos corpos masculinos". Já o Prêmio Canal Brasil de Curtas foi para “Marmita”, de Guilherme Peraro, num júri formado pelas jornalistas Viviane Pistache (Portal Geledés), Elisabetta Mazocoli (Tribuna de Minas) e Marília Barbosa (Istoé Online). Para elas, o curta tem "conexão com a poesia de Manoel de Barros" e é "despretensioso como quem apanha desperdícios, respeitando os seres (des)importantes".

O Júri da Mostra Formação, composto por Ivo Lopes Araujo, Sheila Schvarzman e Eduardo Valente, escolheu “Desconstruindo Lene”, de Guilherme Maia, como Melhor Curta. Segundo os jurados, o filme "enxerga o ambiente acadêmico como um espaço de experiência coletiva de construção" e "afirma-se plenamente no contexto mais amplo da produção audiovisual brasileira".

Na categoria Work in Progress (WIP) do programa Conexão Brasil CineMundi, “A Voz de Deus”, de Miguel Antunes Ramos, recebeu os prêmios Cinecolor e O2 Pós, em escolha do crítico e programador Roger Koza. Ele defendeu que o filme "investiga cuidadosamente várias personagens sem se apressar a julgá-las" e que "nada é mais necessário do que filmar as condições de possibilidade do pensamento reacionário".

Já o Prêmio Málaga WIP, definido por Walter Tiepelmann, diretor artístico do Fidba (International Documentary Film Festival), foi para “Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, por "contar de modo eficaz a construção de laços de amizade, família e amor pelo cinema".

O evento exibe 140 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita.

TODOS OS PRÊMIOS E PREMIADOS

28a MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

MELHOR LONGA – JÚRI POPULAR

“3 Obás de Xangô”, de Sergio Machado (BA)

MELHOR LONGA – MOSTRA AURORA – JÚRI JOVEM

“Um Minuto é uma Eternidade para quem Está Sofrendo”, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro (SP)

MELHOR LONGA – MOSTRA AUTORIAS – PRÊMIO ABRACCINE

“Parque de Diversões”, de Ricardo Alves Jr (MG)

MELHOR CURTA – JÚRI POPULAR

“Dois Nilos”, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro (RJ)

MELHOR CURTA – MOSTRA FOCO – JÚRI OFICIAL

“Entre Corpos”, de Mayra Costa (AL)

MELHOR CURTA – MOSTRA FORMAÇÃO

“Desconstruindo Lene”, de Guilherme Maia (BA)

PRÊMIO HELENA IGNEZ – JÚRI OFICIAL

Ticiane Simões, atriz de “Entre Corpos” (AL)

CONEXÃO BRASIL CINEMUNDI WIP CORTE FINAL

“A Voz de Deus”, de Miguel Antunes Ramos (SP)

CONEXÃO BRASIL CINEMUNDI MALAGA WIP

“Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente (CE)

PRÊMIO RETRATO FILMES

“Prédio Vazio”, de Rodrigo Aragão (ES)

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