Mostra de Duke Lee em Porto Alegre traz alegria e prazer como ato revolucionário
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Mostra de Duke Lee em Porto Alegre traz alegria e prazer como ato revolucionário

Exposição do artista estará na Fundação Iberê Camargo até 27 de outubro

Por
Luciana Vicente

Duke Lee é pioneiro da linguagem contemporânea nas artes plásticas no Brasil

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A arte de Wesley Duke Lee (1931-2010) é um convite para perceber a alegria e o prazer como um ato revolucionário e de resistência. Desta forma é que o curador Ricardo Sardenberg percebe o trabalho do pioneiro da linguagem contemporânea nas artes plásticas no Brasil e apresenta “Wesley Duke Lee − A Zona: A Vida e a Morte”, com abertura neste sábado em Porto Alegre, às 15h, na Fundação Iberê Camargo (Padre Cacique, 2000). Sardenberg (SP) e a historiadora de arte Cacilda Teixeira da Costa (SP) estarão no local para promover a primeira visitação guiada. 

Sardenberg selecionou obras pertencentes a três fases, entre os anos de 1964 e 1967, que se desenvolveram de forma simultâneas para Duke Lee. Segundo o curador, neste período, o artista encontra sua linguagem, agregando vários sentidos das vanguardas das artes, como dadaísmo, surrealismo e pop arte.

“Como ele era filho de um norte-americano, tinha acesso e interesse ao que estava acontecendo nos EUA e Europa e isso está deglutido em seu trabalho, com uma estética própria e publicitária. Duke Lee falava da alegria e do prazer como um ato político e revolucionário, quando a ditadura imperava no Brasil. Sua arte não foi compreendida por muitos naquele momento, por estar associada ao prazer”, reflete o curador. 

"Vênus platinada"

A exposição é composta por 59 itens entre pinturas, desenhos e colagem, sendo o destaque a obra-prima “Jean Harlow”, composta por 30 desenhos sobre a sina trágica da atriz americana, conhecida como "vênus platinada" de Hollywood dos anos 1930. “Nesta obra, Duke Lee encontra sua linguagem, com um vocabulário plástico e conceitual. A história trágica desta artista reúne elementos pertinentes da arte de Duke Lee - morte, sexo, dinheiro e mídia. Outro destaque é “A História da Moça que Atravessa o Espelho”, configurada como um álbum sobre a trama de amor e traição de Orfeu em 17 pranchas. 

O erotismo e desenhos lisérgicos, como uma experiência de liberdade, estão diluídos nas fases chamadas “Lisérgica” e “Zonas”, obras que surgiram da experiência do artista com LSD em um hospital de São Paulo. “Neste período, Duke Lee incorpora a escrita, como um grafismo, um lance de memória, uma história aberta”, pontua o curador. A série “Ligas”, considerada excessivamente erótica, nos anos 1960, foi seu manifesto contra a crítica. Poderá ser apreciado também o políptico em agradecimento ao Japão, país que premiou seu trabalho, o que trouxe reconhecimento no Brasil e outros países. 

Duke Lee aproveitada tudo o que estava no seu radar, abrangendo instalações e intervenções audiovisuais, pintura, xerox, colagem, escultura, gravura, computação gráfica. Foi pioneiro na incorporação dos temas e da linguagem pop no Brasil. Paulistano, estudou desenho no Museu de Arte de São Paulo (MASP), viveu em Nova Iorque, cursou publicidade na Parsan School e trabalhou no Museu Metropolitan. Teve como mestres o pintor Karl Platnner e o cineasta Ingmar Bergman. 

A mostra da FIC é uma parceria com o Instituto Wesley Duke Lee. A visitação segue até 27 de outubro, de quartas a domingos, das 14h às 19h.