Arte & Agenda

Mostra de filmes em Porto Alegre retrata as mulheres na África

Projeto fica em cartaz na Sala Redenção desta segunda até sexta

"Rastros, Pegadas de Mulher" explora as pinturas murais das mulheres kassenas de Burkina Faso
"Rastros, Pegadas de Mulher" explora as pinturas murais das mulheres kassenas de Burkina Faso Foto : Divulgação / CP
A Sala Redenção - Cinema Universitário (Luis Englert, s/nº) apresenta nesta semana uma mostra de filmes que faz um retrato das mulheres na África. "Entre as ruas e as telas: mulheres africanas em perspectiva" fica em cartaz desta segunda até sexta-feira com uma programação gratuita que contempla seis filmes. Os horários das sessões podem ser consultados pelo link.

A iniciativa resgata obras que revelam as lutas, as experiências e a grande capacidade de resistência cotidiana das mulheres africanas, que vivem em sociedades marcadas por profundas desigualdades e que por muito tempo estiveram ausentes nos discursos oficias em seus países. Dois longas que serão exibidos são dirigidos por mulheres e quatro por homens, expondo um dos questionamentos do ciclo, que é justamente a diferença de perspectiva entre o olhar masculino e feminino no cinema. Os filmes foram gentilmente cedidos pela Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, com o apoio da Aliança Francesa de Porto Alegre e pela diretora Eliza Capai.

A seleção conta com o brasileiro "Tão Longe é Aqui", de Eliza Capai, reponsável pela abertura. A partir das memórias colhidas durante uma longa viagem pela África, a cineasta envia uma carta para sua filha, compartilhando suas impressões, sentimentos, afetos e incompreensões diante das mulheres que conheceu quando passou por Cabo Verde, Marrocos, Mali, Etiópia e África do Sul. Em seu percurso, a viajante desenvolve uma longa reflexão sobre o sentido do feminino, do feminismo e sobre os padrões culturais que interferem nas relações de gênero.

"Virgem Margarida" (França, Moçambique, Portugal), de Licínio Azevedo, se passa em 1975 e mostra o renascimento de Moçambique e o novo regime elimando a prostituição das ruas. Numa das operação para levar as prostitutas para campos de reeducação, um jovem noiva é levada por engano, desencadeando uma série de eventos inesperados.

De Moçambique também vem "O Jardim do outro Homem", de Sol de Carvalho. A produção retrata a história de Sofia, uma jovem de 16 anos que vive em um bairro suburbano de Maputo e luta para prosseguir seus estudos que poderão abrir as portas para a faculdade e concretizar o seu sonho de ser médica. Tudo muda para ela quando passa a ser assediada por um professor.

"Rastros, Pegadas de Mulher", de Katy Léna Ndiaye, compara tradição e modernidade por meio do retrato de três anciãs e da "neta" que elas iniciam nas técnicas ancestrais de pinturas murais das mulheres kassenas de Burkina Fasso, perto da fronteira com Gana. Já em "O Colar e a Pérola", Mamadou Sellou Diallo apresenta uma carta de um pai para sua filha, explorando os mistérios femininos da mulher como corpo que sofre para dar a vida, como corpo em forma de objeto de sedução, até o corpo mutilado da mulher.

O último filme da mostra é "Finzan", de Cheick Oumar Sissoko. Este filme confronta as tradições patriarcais do Mali, incluindo a controversa questão da excisão genital feminina. A viúva recente Nanyuma se sente livre do tratamento cruel de seu falecido marido e sai da aldeia com sua sobrinha Fili, mas é eventualmente forçada a regressar. Nanyuma então percebe que sua única chance de reclamar a sua própria liberdade será abandonando a comunidade. 

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