Arte & Agenda

Mostra de Tiradentes abre o 2026 de eventos de cinema

Com homenagens, debates e produções brasileiras, incluindo gaúchas, de um cinema provocativo e experimental, mostra de cinema vai agitar a cidade

A atriz Karine Teles será homenageada na Mostra Tiradentes 2026
A atriz Karine Teles será homenageada na Mostra Tiradentes 2026 Foto : Dudu Mafra / Divulgação / CP

Entre ladeiras de pedra, salas escuras e debates acalorados, a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026 reafirma seu lugar como o ponto de partida simbólico do cinema brasileiro a cada ano. Em sua 29ª edição, que vai acontecer a próxima sexta-feira, dia 23, vai até 31 de janeiro. O evento não apenas exibe filmes: formula perguntas, tensiona linguagens e testa os limites da imaginação como gesto político. Sob o eixo curatorial “Soberania Imaginativa”, Tiradentes volta a ser território onde o cinema nacional se olha, se confronta e se reinventa.

A programação gratuita reúne 137 filmes em pré-estreias, vindos de 23 estados, em um recorte que evidencia a vitalidade e a desigualdade das condições de produção no país. No centro dessa engrenagem estão as mostras competitivas “Olhos Livres e Aurora”, responsáveis por lançar luz tanto sobre cineastas já reconhecidos quanto sobre novos nomes que chegam ao longa-metragem em meio a orçamentos mínimos e máxima urgência criativa.

A “Olhos Livres” consolida-se como espaço de risco e radicalidade. Seus sete longas, entre eles “Meu Tio da Câmera”, “Anistia 79” e “As Florestas da Noite”, apostam em desvios narrativos, experimentações formais e abordagens que rejeitam consensos estéticos. São filmes assinados por realizadores que não estão começando agora, mas que seguem filmando “à revelia”, como define o curador Francis Vogner dos Reis. São artistas que, mesmo após trajetórias consolidadas, continuam escolhendo a invenção em vez da acomodação. É um cinema de maturidade inquieta, que prefere a fricção ao acabamento.

Já a “Mostra Aurora” mantém seu papel histórico de vitrine para estreias em longa-metragem. Em 2026, os seis títulos selecionados, de “Vulgo Jenny” a “Obeso Mórbido”, revelam um cinema feito muitas vezes com recursos próprios, editais reduzidos e estruturas precárias, mas que ainda assim encontra formas de existir. A “Aurora” não romantiza a escassez, mas expõe um paradoxo central do audiovisual brasileiro: a potência criativa que floresce apesar da fragilidade das políticas públicas.

E há gaúchos na lista de presença na tela de Tiradentes. Do Rio Grande do Sul estarão os filmes “Lomba do Pinheiro”, de Iuri Minfroy, e “Yvy Mbyte - em busca do centro da Terra”, de Gildo Gomes e Araci da Silva, que participam da Mostra Panorama; “Para não ser levada por qualquer ventania”, de Eleonora Loner, que participa da Mostra Praça; “Entrevista com Fantasmas”, de LK, “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa; “Matanga”, de Rebeca Francoff, que participam da Mostra Foco; e "O Retorno", de César Meneghetti e Mario Gianni, que participa da EmbraturLAB.

A competição se articula com programação de debates, encontros e fóruns, que transformam Tiradentes em arena de pensamento crítico. “O Seminário do Cinema Brasileiro” e o “Fórum de Tiradentes” aprofundam discussões sobre políticas públicas, concentração de poder nas plataformas e a necessidade de um Sistema Nacional do Audiovisual. Aqui, a “soberania” deixa de ser slogan e passa a ser enfrentamento.

A edição de 2026 também é marcada pela homenagem à atriz, roteirista e diretora Karine Teles, figura central de um cinema que transita entre o independente e o grande público, sempre com inventividade. Sua trajetória, iniciada, não por acaso, na própria Mostra Aurora, simboliza a possibilidade de circular, dialogar e permanecer ligada ao risco criativo.

A sessão de abertura será com “O Fantasma da Ópera”, de Julio Bressane e Rodrigo Lima, celebrando os 80 anos de um dos cineastas mais singulares do país e reforça a vocação metalinguística e especulativa da Mostra. Já o encerramento, com “Copacabana, 4 de Maio”, de Allan Ribeiro, desloca o olhar para o corpo coletivo, a memória pop e as liberdades em disputa no espaço público.

Veja Também

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 18 de fevereiro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio