De 9 a 11 de junho, às 19h, três filmes de Henrique de Freitas Lima serão exibidos na Cinemateca Paulo Amorim (Rua dos Andradas, 736), acompanhados por um ciclo de debates com especialistas sobre o assunto. Com três programas de 70 minutos, a mostra “Ecos de 1923” conta a história do Rio Grande do Sul, apresentando os principais acontecimentos da Revolução de 1923, com foco nos municípios que serviram de cenário para o conflito. A entrada é franca em todas as sessões, com distribuição de ingressos uma hora antes da projeção.
Os filmes aliam depoimentos a material de arquivo obtido em inúmeros acervos no Brasil e no Uruguai. Todos os filmes, fruto da colaboração com produtores locais de cada um dos municípios e realizados com recursos federais da Lei Paulo Gustavo (LPG) e Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), estrearam suas versões locais de 30 minutos com grande repercussão em 2024 e 2025 nas cidades que viabilizaram a produção.
Na abertura, destaca-se na trilha a clássica canção “Sabe Moço”, de Francisco (Chico) Alves, com novo arranjo de Sérgio Rojas e a interpretação de Vitor Hugo. Atualmente, o cineasta produz a etapa ficcional da terceira parte do projeto, o docudrama “Os Caudilhos”.
Após as projeções, haverá debates mediados pelo historiador Günter Axt com alguns dos principais nomes que participaram do projeto, como Miguel do Espírito Santo, João Aloísio Degrazia, Coralio Cabeda, Fernando Azambuja, Marcos Hernandez e Rodrigo Aguiar. O público é convidado a participar.
Confira a programação de cada dia:
Terça-feira, 9 de junho - Parte I
A deflagração do conflito: contexto, adesão e consciência política
- Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul –
Com os debatedores Miguel do Espírito Santo e João Aloísio Degrazia
Apresenta o contexto, os personagens históricos e o motivo da guerra, abordando Uruguaiana com a construção do ambiente político, rivalidades, articulações e tensão pré-guerra; São Gabriel com ênfase no aprofundamento humano e simbólico, a cidade como corpo que reage à guerra. Aqui a Revolução deixa de ser apenas estrutura e passa a ser experiência vivida; e Caçapava do Sul, que em tom mais reflexivo e conceitual, funciona como uma espécie de epílogo filosófico do primeiro ato.
Quarta-feira, 10 de junho – Parte II
O corpo da guerra: trauma, violência, cicatriz
- Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul -
Com os debatedores Coralio Cabeda e Fernando Azambuja
Mergulha no núcleo trágico da Revolução. Aqui o espectador não observa mais a história — ele a atravessa. Camaquã abre o segundo dia com impacto direto: bombardeio aéreo, coluna de Zeca Netto, memória oral. Funciona como o “portão do inferno” do segundo ato. São Francisco de Assis aprofunda o trauma psicológico. O próprio título interno - o dia seguinte que nunca acabou - desloca o foco da batalha para a ferida que permanece no tempo. Opera quase como cinema de luto. Rosário do Sul fecha com a maior densidade trágica: degolas, participação das mulheres, resquícios físicos da guerra, pacto, repercussão nacional. Éo ponto mais alto de tensão emocional de toda a mostra.
Quinta feira, 11 de junho – Parte III
Elaboração simbólica: memória, política, conciliação e legado
- Alegrete, Livramento e Pedras Altas -
Com os debatedores Marcos Hernandez e Rodrigo Aguiar
Transforma trauma em compreensão. Leva o espectador da dor para o significado. Alegrete começa o dia com estrutura mais coral, múltiplas histórias, lembranças, personagens locais. Santana do Livramento traz densidade política novamente, mas agora com mais sofisticação: fronteira, influência uruguaia, assassinatos, ascensão de Flores da Cunha. O conflito retorna, mas agora filtrado pela complexidade histórica. Pedras Altas fecha a mostra com perfeição simbólica. O castelo, o pacto, Assis Brasil, o gesto de conciliação. Dramaturgicamente, é um epílogo natural: onde antes havia guerra, agora há assinatura; onde havia sangue, agora há papel; onde havia ruptura, agora há memória organizada.
SERVIÇO:
ECOS DE 1923 – Mostra de filmes de Henrique de Freitas Lima - Cinematográfica Pampeana
Dias 9, 10 e 11 de junho de 2026, às 19h
Cinemateca Paulo Amorim – Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), Centro Histórico de Porto Alegre.
Entrada franca