Arte & Agenda

Mostra inédita de Marino Marini estreia neste sábado no Iberê

É a primeira grande retrospectiva internacional do pintor e escultor italiano

Uma de suas obras em bronze, "Cavaliere"
Uma de suas obras em bronze, "Cavaliere" Foto : Divulgação / CP
Primeira grande retrospectiva internacional do pintor e escultor italiano Marino Marini (1901-1980) nos últimos 40 anos, a exposição "Marino Marini: Do Arcaísmo ao Fim da Forma" será aberta neste sábado, na Fundação Iberê
Camargo (Padre Cacique, 2000), em Porto Alegre, onde fica até 21 de junho com entrada franca.

A mostra reúne 89 obras, entre pinturas, desenhos e 34 esculturas em bronze provenientes de Pistoia e Florença. São Paulo também vai receber a retrospectiva de Marini, em 18 de julho. O curador da exposição, Alberto Salvadori, diretor do museu que leva o nome do artista em Florença, em entrevista por telefone, ressalta que a volta da obra de Marini especialmente a São Paulo tem um significado especial pela presença de esculturas do artista no acervo de instituições como o Masp e Museu de Arte Contemporânea (MAC). "Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, doou ao museu (MAC) o cavalo de bronze com o qual Marini ganhou o Grande Prêmio de Escultura na Bienal de Veneza, em 1952", lembra Salvadori.

Há na mostra oito pequenas esculturas em bronze, composições abstratas dos anos 1960 em que a ausência de cavalos e cavaleiros é sintomática. Quatro temáticas resumem, segundo o curador, a arte de Marini: os cavaleiros, os retratos, os nus femininos e o circo. 

Quanto aos nus femininos, Marini tem uma relação melhor com a "pomona" - encarnação do eterno feminino, em que adota como modelo a figura mitológica da deusa da fertilidade, embora todas as figuras estejam um pouco acima do peso, especialmente as dos anos 1940. Há na mostra versões delas em desenhos, pinturas e esculturas de várias épocas, assim como de pugilistas e atletas. "Marini se definia como pintor, antes de escultor", observa Salvadori, chamando a atenção para os trabalhos do último período, dos anos 1960 e 1970, quando a abstração domina essas obras.

Isso não significa ausência de expressão. Numa delas, "O Grito", uma vigorosa escultura em bronze de 1962 também presente na mostra, ele identifica o "frenesi descontrolado, destruidor" que traduz a desarticulação da forma e a condição trágica do homem contemporâneo.

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