Arte & Agenda

Mostra retrata arte urbana e protestos em Porto Alegre

Exposição fica em cartaz até 24 de dezembro na Galeria Tina Zappoli

Trabalho de Lorena Hollander está no mostra que acontece na Galeria Tina Zappoli
Trabalho de Lorena Hollander está no mostra que acontece na Galeria Tina Zappoli Foto : Lorena Hollander / Divulgação / CP
Promover uma reflexão sobre a vida urbana, o cotidiano caótico, o espaço e as sensações efêmeras é a proposta da coletiva “Um Novo Horizonte”, com abertura nesta quinta-feira, às 19h, na Galeria Tina Zappoli (Paulino Teixeira, 35), em Porto Alegre. A seleção dos 15 artistas, realizada pelos galeristas Tina Zapolli e Marinho Neto, foi feita não por tema ou linguagem, mas, sim, pelo olhar contemporâneo sobre o fazer artístico. Cada um dos convidados expressa em suas diversas técnicas - que passam pela pintura, desenho e sobreposição de imagens - seu talento e visão singular do mundo.

As obras apresentam elementos nostálgicos, contemporâneos, perpassando por temas que refletem sobre a vida urbana e suas relações. São fotografias, pinturas e esculturas assinadas pelos paulistas Felipe Cretella, Antonio Hélio Cabral, Bettina Vaz Guimarães, Lorena Hollander; o carioca Marcus André; os catarinenses Juliana Hoffmann, Dirce Körbes e Rodrigo Cunha; o mineiro Valdelice Neves; e os gaúchos Marinho Neto, Roger Monteiro, Fernanda Chemalle, Fernanda Valadares, Itelvino Jahn e Jorge Leite.

Em uma Sala Especial, Roger Monteiro exibe a individual “Junho: Fragmentos de uma Revolução”, com 11 imagens em uma investigação sobre as manifestações sociais do mês de junho sob o olhar da Internet. O artista busca mostrar uma investigação visual, errática e telegráfica acerca de como a Internet exerceu um papel fundamental para a existência do levante e mobilização que chegou às ruas de Porto Alegre. Não apenas a aglutinação de pessoas, mas como elementos capaz de “hackear” as estruturas mentais viciadas, normalmente vinculadas aos movimentos sociais.

“Em seu auge, as manifestações corriam paralelas a qualquer tentativa de entendimento dos analistas, mas me parecia que essa dificuldade em rotular, em compartimentar, em encaixotar ideologicamente, política e socialmente toda aquela comoção não era compartilhada pelas pessoas que a estavam registrando”, argumenta Monteiro. Em seus registros, ele destaca a aproximação mais humana dos acontecimentos, em vez das tradicionais coberturas midiáticas, seja na imprensa tradicional e mesmo de algumas denominadas alternativas. Monteiro estudou Literatura e Filosofia, além de investigar o potencial da imagem, primeiramente no mundo da propaganda, como diretor de arte e, depois, como designer gráfico. Ele também atual como roteirista, sendo seu último filme “Kassandra”, indicado e premiado na mostra gaúcha do 41º Festival de Cinema de Gramado. Visitação até 24 de dezembro, de segundas a sextas, das 10h30min às 12h, e das 14h às 19h.

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