A mostra é uma oportunidade para conhecer as várias faces do artista: o atormentado que convivia com o crítico até bem-humorado nas personas de pintor, gravador, desenhista, ilustrador e até escritor. Segundo o curador Adolfo Montejo Navas, o título da mostra é uma licença-poética do que, no fundo, a arte mais verdadeira faz, que é conjurar o mundo. No caso apaixonado de Iberê, é muito evidente. Por meio do seu conjuro artístico, o desassossego do mundo era, de algum modo, nivelado, reformulado. Na exposição, o olhar do artista é abordado a partir do recorte histórico que começa em 1986 e se estende até o final da sua vida, em 1994.
Um dos destaques é um curioso conjunto de desenhos do acervo da cineasta Marta Biavaschi que foram concebidos em formato de storyboard para um filme ainda não realizado. Neles, o personagem está sempre inscrito em algo maior que ele. Outra peça singular é a obra "Queda do Armário", um guache, em que o ciclista desenhado quase como um esqueleto se move por um interior estranho. O face literária do pintor vem à tona em quatro cartazes manuscritos originais e 11 textos literários. Há ainda charges que ele realizou para a imprensa, sob o pseudônimo de Maqui. São peças que revelam sarcasmo e ironia.
Trabalho inédito de Leonardo Fanzelau
A Galeria Gestual (Lucas de Oliveira, 21), às 11h, inaugura a individual "Conjecturas", com trabalhos inéditos de Leonardo Fanzelau, importante nome da jovem produção artística gaúcha. Envolvida em uma ironia fina e perversa, sua obra reflete a violência, o caos e o lugar comum que pulsam nos aparatos lúdicos da vida e nos ícones da história da arte. Segundo Fanzelau, a individual agrupa um conjunto de obras operadas por fundamentos incertos, que fluem por um caminho que não permite um retorno e cuja exatidão não pode ser verificada por meio de uma prova real. Formado em Artes Visuais pela Ufrgs, sob orientação de Mônica Zielinsky, ele já foi indicado duas vezes ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. Visitação até dia 26.
Metalinguagem do desenho
Também às 11h, no Espaço Cultural ESPM (Guilherme Schell, 268), abre a coletiva "MaisImerso", com obras de Flávio Gonçalves, Guilherme Dable, Vivian Herzog e Amélia Brandelli. Serão apresentados desenhos de schektbook e desenhos-instalação, todos relacionados à pesquisa sobre metalinguagem do desenho. Dable mostra desenhos, em grande formato, que registram graficamente a ação dos músicos sobre seus instrumentos. Amélia exibe pequenos desenhos e uma instalação. E Flávio Gonçalves mostra objetos distorcidos por sua imaginação. Uma conversa com os artistas será realizada no próximo dia 23, das 17h às 18h45min, no local. Visitação, de segundas a sextas, das 8h às 22h, e aos sábados, das 9h às 15h.