Dois longas brasileiros da década de 1970 que representam o bom e velho samba inauguram a mostra "Tempo de Carnaval", promovida pelo Cinebancários (General Câmara, 424), com entrada franca. A partir de hoje até sexta, serão exibidos os longas e mais duas sessões de curtas, todos com a maior festa popular brasileira como pano de fundo.
"A Lira do Delírio" será o primeiro a ter exibição, hoje às 15h. Dirigido por Walter Lima Júnior e lançado em 1978, foi filmado inteiramente durante o Carnaval. Guarda a última representação da atriz Anecy Rocha, que morreu em 1977 ao cair no poço do elevador do prédio em que morava. Anecy era mulher de Walter Jr. e irmã de Glauber Rocha. Em "A Lira do Delírio" interpreta uma mulher que se envolve com um rico e ciumento amante que passa a persegui-la e procura ajuda de antigos companheiros do bloco de Carnaval Lira do Delírio.
Às 17h se inicia o Cine Samba 1, reunindo o documentário premiado "Com Que Roupa", de Ricardo Van Steen (1996, 18 minutos); o curta que fala do dia em que o samba nasceu "Do Dia em que Macunaíma e Gilberto Freyre Visitaram a Tia Ciata" (1998, 20 minutos), de Sérgio Zeigler e Vitor Ângelo; e o musical, chanchada mediúnica e documentário "Polêmica" (1999, 21 minutos), dirigido por André Luiz Sampaio, no qual uma dupla de vagabundos recebe os santos de Noel Rosa e Wilson Batista.
Às 19h, será exibido "Assim Era a Atlântida", de Carlos Manga (1974, 105 min), integrado por trechos dos principais filmes que sobreviveram a incêndio e depois a inundação nos estúdios da empresa. Um desfile nostálgico de cenas antológicas do cinema brasileiro, que marcaram o imaginário de várias gerações, como os humores de Oscarito e Grande Otelo e galãs, vilões e mocinhas memoráveis.
A outra sessão de curtas é mostrada a partir de amanhã, às 15h. É composta por "Batuque na Cozinha", de Anna Azevedo (2004, 19 min), apresentando as Pastoras da Velha Guarda da Portela, as "tias", Eunice, Doca e Surica, que comandaram as tradicionais rodas abrindo seus quintais para batucadas, umbigadas, capoeira e samba.
Outro é "Geraldo Filme", de Carlos Cortez (1998, 52 min), que mergulha do samba e cultura negra paulista através da obra do compositor Geraldo Filme. Por fim, "Jorjão", de Paulo Tiefenthaler (2008, 18 min), um perfil do diretor de bateria de escolas de samba, o Mestre Jorjão e "Nelson Sargento", de Estevão Ciavatta (1977, 22min), um retrato biográfico do sambista Nelson Sargento durante uma visita ao Morro da Mangueira. Os nove filmes podem ser vistos em sessões que intercalam-se nos dias da mostra, sempre às 15h, 17h e às 19h.
Mostra "Tempo e Carnaval" inicia folia na Capital
Filmes brasileiros da década de 1970 que representam o bom e velho samba serão exibidos no Cinebancários