A Fundação Ecarta (João Pessoa, 943) inaugura, nesta terça, 14, três exposições que ocupam simultaneamente seus espaços expositivos: “Sobredimensões”, de Karen Axelrud, com curadoria de Laura Cattani; “Moro no Morro do Biriba”, de Rosa dos Anjos (curadoria de Ilana Machado; e “ARTEEEDUCAÇÃO”, de Juliana Veloso, (curadoria de Luciana Gruppelli Loponte e Arteversa). As mostras reúnem pesquisas em arte contemporânea que atravessam educação, território, corpo, memória e poéticas do cotidiano. As mostras seguem até 17 de maio.
A programação de abertura começa às 17h com o Ecarta Conversa, na Sala 3, reunindo artistas e curadores para um diálogo público sobre processos criativos, formação e trajetórias. Às 19h, acontece a abertura simultânea das exposições, seguida de coquetel para convidados.
A mostra “Sobredimensões”, de Karen Axelrud, tem curadoria de Laura Cattani. A ação reúne mais de 40 obras inéditas produzidas entre 2019 e 2026 — entre pinturas acrílicas sobre tela, trabalhos em papel e composições em acrílico. A exposição propõe um mergulho em um universo de sobreposições, repetições, rupturas e instabilidades. A artista cria uma poética que opera entre o controle e o acaso, tensionando o olhar e desafiando a percepção. A artista aponta para a dimensão existencial que atravessa sua pesquisa ao observar que “a célula de um corpo, como um neurônio, e o sistema solar, no qual a Terra orbita, têm quase o mesmo tamanho diante de um universo infinito”, lembrando que o ser humano é uma fração ínfima diante da totalidade e que o confronto com o infinito produz vertigem e inquietação.
Já a mostra “Moro no Morro do Biriba”, de Rosa dos Anjos, tem curadoria de Ilana Machado e integra o Projeto Potência. Apresenta monotipias e pinturas que retratam o cotidiano do Morro do Biriba, em Porto Alegre, evocando memórias, relações comunitárias e vivências da infância. As obras celebram a vitalidade da vida periférica, trazendo cores, gestos e narrativas que afirmam presença e identidade. A paleta da artista está ligada à sua vivência e identidade, destacando que o marrom se aproxima de sua cor de pele e que a maioria de seus personagens são negros. “O vermelho é o sangue. O preto é sonho, é universo a ser desbravado”, afirma, revelando o caráter simbólico e afetivo que atravessa sua produção.
Por sua vez, a exposição “ARTEEEDUCAÇÃO”, de Juliana Veloso tem curadoria de Luciana Gruppelli Loponte e Arteversa e integra o projeto Espaço Professor Artista / Artista Professor. A exposição apresenta desenhos que articulam arte e educação como campos indissociáveis. As obras propõem a escola como território de experimentação e resistência, em uma prática que tensiona o cotidiano pedagógico e reivindica o gesto educativo como gesto poético. Juliana descreve seu processo como investigação situada entre arte e educação, em que sua prática docente e artística se entrelaçam. Para ele, a produção busca tornar visível a potência que pulsa nas vivências da escola, destacando a importância de reconhecer e defender múltiplas existências e resistências do ambiente escolar.