Arte & Agenda

Mulheres protagonizaram mais filmes em Hollywood em 2016, aponta pesquisa

Dos cem filmes com maior bilheteria no ano, 29 tiveram personagens principais femininas, um número recorde

Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer são as protagonistas de "Estrelas Além do Tempo"
Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer são as protagonistas de "Estrelas Além do Tempo" Foto : Hopper Stone / Divulgação / CP
O ano de 2016 foi de recorde no que diz respeito à presença feminina nos filmes de Hollywood, de acordo com uma pesquisa do Centro para o Estudo das Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade de San Diego. Entre nomes como Amy Adams, Ruth Negga, Meryl Streep, Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Natalie Portman, Annette Bening, Emily Blunt e Jessica Chastain, as mulheres representaram 29% dos protagonistas nas cem produções com maior bilheteria no período. Em 2015, o índice foi de 7%. 

O estudo mostra que as mulheres também foram responsáveis por 37% dos personagens nos filmes de maior audiência, o que representa um aumento de 3% ao ano anterior. Em relação aos papéis com falas, houve uma queda na representatividade, de 33% para 32%. "Já vimos uma e outra vez que as personagens femininas, quando bem feitas, refletem em boas bilheterias", afirmou a diretora do Centro, Martha Lauzen, ao jornal The New York Times.

Ela também comemorou o fato de haver uma maior diversificação no gênero das obras. "Elas não estão sendo relegadas a um único tipo, como as comédias românticas, e isso sugere um padrão mais estável". As protagonistas femininas apareceram com maior frequência em comédias (28%), dramas (24%), filmes de terror (17%), animações (14%) e filmes de ficção científica (14%). Neste último, os grandes exemplos são Amy Adams em "A Chegada" e Felicity Jones em "Rogue One".

Em termos de raça e etnia, 76% das personagens são brancas. A porcentagem de asiáticas aumentou de 3% para 6%, enquanto o número de negras cresceu de 13% para 14%, embaladas pelas atuações de Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe em "Estrelas Além do Tempo", e Ruth Negga, em "Loving". Já a quantidade de personagens latinas diminuiu de 4% para 3%.

No entanto, essas mudanças não parecem estar levando a mais oportunidades para as cineastas. Atrás das câmeras, os índices pioraram. As mulheres representaram apenas 7% de todos os diretores que trabalharam nas 250 obras com maior arrecadação em 2016, um declínio de dois pontos percentuais em relação ao nível alcançado em 2015. "É possível que esta seja uma espécie de peculiaridade que não veremos repetida no futuro", disse Lauzen.

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