Arte & Agenda

Mural no Instituto Ling recebe a arte do cuiabano Gervane de Paula

A intervenção artística integra a 14ª Bienal do Mercosul e traz uma conversa com Gervane de Paula e o curador Paulo Henrique Silva neste sábado, às 11h, com entrada franca

A obra ficará exposta para visitação até o dia 31 de maio, com entrada franca
A obra ficará exposta para visitação até o dia 31 de maio, com entrada franca Foto : Gabriela Carneiro / Divulgação / CP

Quem passou pelo Instituto Ling durante essa semana pôde acompanhar ao vivo a intervenção artística de Gervane de Paula em uma das paredes do centro cultural. A obra, que utiliza diferentes linguagens e suportes – como pintura, escultura e desenho – faz parte do projeto Ling Apresenta: Quando as fronteiras se dissolvem, que tem curadoria de Paulo Henrique Silva e o objetivo de aproximar o Rio Grande do Sul da cultura do Centro-Oeste, trazendo artistas visuais da região para desenvolverem obras inéditas em Porto Alegre.

Nas edições anteriores, o projeto de arte no mural já recebeu artistas do Sul, Nordeste e Norte. “Ao valorizar a heterogeneidade, o projeto Ling Apresenta faz florescer uma cartografia viva, na qual cada região do país se liberta da rigidez hierárquica e cria pontos de contato entre si. Dessa forma, não se legitima um único lugar de fala, mas uma polifonia que insiste em modos alternativos de perceber e habitar o mundo”, explica o curador.

Nesta edição, a ação faz parte da programação da 14ª Bienal do Mercosul, evento que iniciou na última quinta-feira (27). O trabalho de Gervane se iniciou na segunda-feira (24) e seguiu até sexta-feira. Após a finalização do mural, o curador irá apresentar um panorama da arte produzida recentemente da região Centro-Oeste, e o artista comentará a experiência e o resultado em bate-papo com o público neste sábado, às 11h. A conversa poderá ser acompanhada gratuitamente, mediante inscrição prévia pelo site. A obra ficará exposta para visitação até o dia 31 de maio, com entrada franca.

“A seleção de artistas apresentada propõe um olhar para um território que, embora geograficamente seja o centro do país, permanece à margem de políticas expressivas de fomento à arte contemporânea. Quando comparado à Região Sudeste, o Planalto Central converte-se em uma espécie de limbo. No entanto, compreender a produção artística do Centro-Oeste como um dos eixos da arte brasileira exige reconhecer que transformações sociais, políticas e econômicas superaram o antigo paradigma de periferia em estado de inferioridade”, argumenta Paulo Henrique Silva a respeito da potência artística contemplada nesta nova edição do projeto Ling Apresenta.

Mais sobre o artista

Gervane de Paula nasceu em 1961 em Cuiabá, no Mato Grosso, onde ainda vive e trabalha. Sua produção multifacetada reflete as dinâmicas culturais, sociais e ambientais do Centro-Oeste brasileiro. Trabalhando entre a pintura, escultura, instalação e objetos, sua obra carrega a força dos ecossistemas locais – cerrado, floresta e pantanal – enquanto dialoga com questões do cotidiano e problemáticas sociopolíticas.

A potência crítica de seu trabalho emergiu no cenário nacional em 1982, quando integrou a exposição coletiva “Brasil/Cuiabá: Pintura Cabocla”, organizada por Aline Figueiredo no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Desde então, sua trajetória tem sido marcada pela abordagem irônica e incisiva de temas como violência urbana, corrupção e degradação ambiental, frequentemente incorporando objetos como tijolos, motosserras e materiais reciclados.

Membro da emblemática "Geração 80", Gervane articula elementos da cultura de massa, popular e religiosa em um realismo social que transcende fronteiras, conectando o local ao global. Em 2024, sua obra ganhou destaque com a primeira mostra individual em uma instituição paulista, na Pinacoteca de São Paulo, celebrando quatro décadas de uma carreira que continua questionando, desafiando e narrando as complexidades do Brasil contemporâneo.

Sobre o curador

Paulo Henrique Silva foi aluno e, posteriormente, professor na Escola de Artes Oswaldo Verano, mantida pela Prefeitura de Anápolis (GO). Graduou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2021. Desde 2004, dedica-se à curadoria, com foco no estudo e na pesquisa da arte contemporânea produzida na Região Centro-Oeste do Brasil, bem como nas relações entre artistas e acervos.

Projetos recentes incluem as mostras “Entre Acervos”, “Dialetos 1 e 2”, “Novas Aquisições”, “Um Acervo em Construção”, “Fotografia”, “Fotografia no Acervo do Mapa”, “Conversas – resistência e convergência e Vozes do Silêncio”. Também organizou o 1º Salão de Arte Contemporânea de Goiás (2022) no MAC/GO, que enriqueceu o acervo do Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) com obras de importantes artistas da cena contemporânea brasileira.

Já atuou como curador em mais de onze edições do Salão Anapolino de Arte e tem contribuído significativamente para a ampliação do acervo do MAPA e o fortalecimento da arte contemporânea no interior do Brasil. De 2020 a 2024, foi responsável pela Coordenação do Fundo Municipal de Cultura e Editais na Diretoria de Cultura de Anápolis, além da Curadoria e Gestão do Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) e da Galeria de Artes Antônio Sibasolly.

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