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Museu de Spreewald, na Alemanha, apresenta Era de Ouro dos artistas locais

Exposição reúne obras do final do século XIX e do início do século XX

Exposição reúne 50 obras de 20 artistas da região de Spreewald
Exposição reúne 50 obras de 20 artistas da região de Spreewald Foto : Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP
A região de Spreewald, no nordeste da Alemanha, sempre foi considerada uma espécie de escape bucólico, uma região cheia de tranquilidade e canais em contraste com a agitação de Berlim. Desde o século XIX, os berlinenses a adotaram como um refúgio de silêncio e antistress. Isto não foi diferente com os artistas plásticos, principalmente os que não frequentavam o Clube de Artistas de Berlim. O Museu de Lübbenau/Spreewald reuniu as obras dos artistas da região ou que vieram para a região pintar, desenhar ou gravar e resolveu expor as obras da chamada Era de Ouro de Spreewald.

A mostra "A Era de Ouro - Mitos e Paisagens dos Pintores de Spreewald" foi aberta no dia 1º de outubro e segue até o dia 14 de fevereiro de 2016. Cinquenta obras de 20 artistas como Hermann Eschke, Walter Moras, Max Carl Krüger, Adolf Burger, Peder Mork Monsted, Richard Eschke, Albrecht Gutjahr, Curt Messerschmidt, Berthold Genzmer e Philip Franck estão expostas e segundo o curador da mostra, Tom Fehrmann, foram reunidas durante um ano a partir de coleções particulares pelo mundo, incluindo Alemanha, Áustria e Estados Unidos. "Pintores do século XIX como Hermann Eschke, Walter Moras e Peder Mork Monsted retrataram Spreewald, seus canais, suas edificações, suas roupas típicas e seu povo de uma forma bem realista, quase uma fotografia daquela metade final do século", afirma.

Para ele, o interessante é que os artistas navegam entre o romantismo, o realismo e o impressionismo, como é o caso de Philip Franck. "Reunimos aqui os artistas da Era de Ouro da pintura de Spreewald, que servem de inspiração para novas gerações de artistas da região e de partes da Alemanha. Foi um prazer reunir estas obras todas, que nunca estiveram juntas e que muitas eram dadas como perdidas. Muitas pessoas têm estas obras em casa. No dia 1º de novembro, faremos uma atividade ligada à mostra, que é chamar o público a trazer suas obras desta época ou da primeira metade do século XX e a conferirmos a autenticidade, se são originais ou cópias", ressalta.

O curador também explica algumas características dos artistas que se radicavam em Spreewald, em cidades como Burg, Lehde e Lübbenau. "Eles não pertenciam ao Clube de Berlim. Estavam à margem, alguns eram de classes inferiores, mas como toda a burguesia de Berlim e cidades maiores vinha para cá, eles viram que os aristocratas precisavam de alguém que retratasse aqueles momentos prazerosos nos canais, aquele contraste com a vida regular de Berlim. Assim, estes artistas passaram a ser valorizados e a vender seus quadros", conta Fehrmann. Ele lembra que o imperador não estava contente com esta espécie de diáspora, uma região que abrigava expoentes não tradicionais, mas não conseguiu fazer muito para que este movimento estancasse.

Retratar a vida ordinária era o objetivo destes artistas. Adolf Burger identificava uma mulher conduzindo a canoa pelos canais. Berthold Genzmer e Philip Franck tinham influências do impressionismo, o primeiro ainda com cores mais escuras e contraste entre luz e sombra, enquanto o segundo trabalhava com cores mais vivas e cenários mais alegres. Já uma das primeiras artistas mulheres, no século XX, Bianca Commichau-Lippisch, já retratava detalhes dos trajes típicos, das ocasiões sociais, voltada mais para o interior da sociedade e não tanto para a paisagem. "Minha obra preferida nesta mostra é a "Eiche" (1912), do dinamarquês Peder Monk Monsted pela quantidade de detalhes do canal, da canoa e quem está conduzindo a canoa", destaca Fehrmann.

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