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Museu do Homem, em Paris, reabre após seis anos em reforma

Espaço será inaugurado nesta quinta-feira pelo presidente francês François Hollande

Mudanças ampliaram acervo e tornaram espaço mais interativo aos visitantes
Mudanças ampliaram acervo e tornaram espaço mais interativo aos visitantes Foto : Patrick Kovarik / AFP / CP
Uma fascinante "sala de antepassados" com o crânio do homem de Cro-Magnon, Vênus pré-históricas e uma coleção de bustos sobre a diversidade humana: o Museu do Homem reabre suas portas neste sábado, em Paris, após seis anos e meio de reforma.

Inteiramente renovado, com grandes volumes, vista para a Torre Eiffel e cenografia moderna, o espaço será inaugurado na quinta-feira pelo presidente François Hollande, e o público poderá descobri-lo gratuitamente durante três dias, de sábado a segunda-feira.

Com a chegada do novo Museu da antropologia do Quai Branly, o estado francês investiu mais de 100 milhões de dólares no Museu do Homem, em busca de uma nova identidade. “Estou encantada. É muito emocionante reabrir as portas”, comenta Evelyne Heyer, responsável pela “Galeria do Homem”, a coleção permanente do museu. “No início dos anos 2000 fiz greve para que continuássemos existindo e, naquela época, pouca gente acreditada nele”, afirma Heyer, que é antropogeneticista.

A nova galeria permanente é articulada em torno de três perguntas fundamentais: “Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?”. "O homem faz parte da grande diversidade do mundo vivo. Em termos biológicos, não é 'mais evoluído' que as demais espécies", indica Heyer.

No "refúgio dos antepassados", o visitante fica confrontado com suas origens, diante do crânio do Cro-Magnon, de cerca de 28 mil anos e encontrado em 1868 na França. Ao seu lado está o crânio da "Dama de Cavillon", pintado de ocre e coberto de caracóis. Estão na mesma sala os primos: os neandertais, representados pelo Homem de Ferrassie. No mesmo ambiente, descobre-se a caixa de ferramentas da pré-história: cortar, pintar, tingir e riscar. A “sala de tesouros” abriga a Vênus de Lespugue, uma estatueta de formas generosas, talhada em marfim de mamute há cerca de 23 mil anos.

O museu insiste na diversidade humana. No coração da “Galeria do Homem”, uma estrutura de 11 metros de altura sobre 19 de largura apresenta uma coleção de 90 bustos em bronze e gesso realizados por cientistas do século XIX com base em moldes feitos em populações autóctones da América, África ou Ásia. A riqueza das línguas (7 mil em todo o planeta) é apresentada de maneira lúdica: o visitante pode ouvir como cada uma soa.

Ao longo do tour, os cientistas substituíram o homem em seu ambiente. “O homem começou a ter um impacto sobre o planeta a partir do Neolítico, quando começa a domesticar a natureza”, explica Evelyne Heyer. “Há uma explosão demográfica e aparecem as doenças”. O passeio termina com uma pergunta sobre o destino da humanidade.

Segundo Bruno David, presidente do Museu Nacional de História Natural, a visita permite "compreender que somos tão somente uma espécie entre outras. Que somos o fruto de uma grande e complicada história. E que talvez estejamos arruinando o final desta história", agrega. "Temos que aprender a voltar a ser modestos. Nossa tecnologia não será suficiente para nos  salvar".

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