Vários espaços culturais de Porto Alegre sofrem com a enchente que suspendeu suas atividades. Um deles é o Museu do Trabalho e o Teatro do Museu (Rua dos Andradas, 230), que ocupam galpões próximos à Usina do Gasômetro. A parte da galeria, que estava com uma exposição comemorativa pelos 40 anos da banda Replicantes, intitulada “Os Replicantes – 1984/2024”, está inundada e com atividades suspensas.
O Teatro do Museu, que está localizado no mesmo núcleo de edificações, é um espaço locado pela Companhia de Teatro Ronald Radde. Antigamente com o nome de Cia de Teatro Novo, passou a ser chamada Ronald Radde, nome do seu dramaturgo e diretor falecido em abril de 2016, aos 71 anos.
A filha do ex-diretor, a atriz e atual diretora Karen Radde, relata sua tristeza. “Meu sócio, Vinícius Mello, entrou rapidamente uma vez lá no teatro desde que as águas atingiram o lugar e viu que está tudo estragado: palco, carpete, cenários, equipamentos, poltronas”, diz Karen.
Resgatando um pouco a história do grupo teatral, se entende que este é mais um baque. A companhia começou nos anos 1980 no Museu do Trabalho. Depois ficou por quase 17 anos no DC Shopping, mas quando chegou o momento de renovar o contrato de locação, o centro comercial não quis a renovação.
Em 2020, a companhia passou a ter novamente como sede o Museu do Trabalho. Então veio a pandemia. O grupo fez uma reforma no local. A estreia de uma nova peça ocorreu em julho de 2022, com o musical infantil “Aladdin”.
“Nosso trabalho sempre foi de formação de plateia. Por isso, trabalhamos muito com apresentações para escolas”, explica a diretora, tanto recebendo turmas de estudantes como indo até colégios. Outras peças que começaram a atrair público foram a infantil “Peter Pan” e a adulta que faz um tributo a Cazuza. “Agora que estávamos conseguindo engrenar, estamos vivendo mais esta tragédia. Tínhamos também viagens para outras cidades programadas”, explica Karen, que aguarda a água baixar para poder entrar no local, que também oferecia oficinas de arte.
“É uma sensação muito triste, pelos artistas todos. E não só pelo nosso espaço, mas o de outros como a Casa de Cultura Mario Quintana e o Teatro Renascença”, desabafou. “A gente vive de teatro; às vezes dá vontade de desistir, mas isso dura poucos dias. Vamos começar de novo”, ressalta. Karen contou que recebeu em sua casa pessoas desalojadas pela enchente e vê na solidariedade uma esperança. “Recebemos muitas ligações, muitas pessoas querendo ajudar. Faremos um mutirão”, planeja.