Arte & Agenda

“Não estou muito otimista em relação aos rumos da cadeia produtiva cultural”

Confira entrevista com Fred 04, da Mundo Livre S/A, uma das atrações do El Mapa de Todos que começa terça-feira na Capital

Fred 04 (frente) e banda comemoram os 20 anos de “Samba Esquema Noise”
Fred 04 (frente) e banda comemoram os 20 anos de “Samba Esquema Noise” Foto : Luciana Ourique / Divulgação / CP
A quinta edição do Festival El Mapa de Todos estreia na próxima terça e vai até o dia 15 de novembro, na Capital. Com isso, uma programação intensa aguarda o público: sarau, debates e shows de artistas locais, nacionais e de países iberoamericanos, que acontecerão em diversos pontos de Porto Alegre. 

Atração principal de sexta-feira, penúltima noite do festival, a Mundo Livre S/A subirá ao palco do Opinião (José do Patrocínio, 834) comemorando os 20 anos de lançamento do seu primeiro - e emblemático - disco, “Samba Esquema Noise”, que ganhou edição especial em vinil recentemente. A banda pernambucana é considerada a precursora do movimento Manguebeat, ao lado de Chico Science e Nação Zumbi.

O vocalista Fred 04 bateu um papo com a gente e falou sobre a relação do grupo com as novas gerações, do momento atual da música e das influências latinas nas músicas da banda. 

Correio do Povo - A turnê dos 20 anos de "Samba Esquema Noise" está abrindo a oportunidade pra galera mais jovem conhecer o trabalho do início da carreira da Mundo Livre. Vocês sentem a receptividade deste pessoal e como vocês interagem com este público, digamos, mais conectado?

Fred 04 – A gente sente um interesse muito grande dessa gurizada em tudo que gira em torno do selo Banguela [selo independente criado nos anos 90] e aquele ambiente excitante de 1994. Realmente foi um ano marcante para o pop brasileiro e parte desta geração conectada tem o manguebeat como uma cena emblemática. A geração Y (ou Z, como queiram rsrs) ama a música pernambucana.

CP - O “Samba Esquema Noise” é um disco que, mesmo após 20 anos, continua sendo atual e sempre foi considerado à frente de seu tempo. Se vocês fossem desafiados a lançar um segundo volume deste trabalho sobre o momento em que vivemos hoje, o que ouviríamos daqui a 20 anos?

Fred – Falando com toda a sinceridade, eu considero nosso último álbum de inéditas, “Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”, uma espécie de “Samba Esquema Noise 2”. Concebemos com esse propósito, de disco manifesto. Por isso ficamos imensamente felizes de ele ter conquistado o Prêmio da Música Brasileira 2012. Se vai ser ouvido com algum interesse daqui a 20 anos, só o tempo dirá. Mas confesso que não estou muito otimista em relação aos rumos da cadeia produtiva da música e da cultura geral. Duvido muito que um disco produzido hoje, por mais ousado que seja, consiga vencer o niilismo reinante e continuar como referência por décadas. Pra entender melhor o meu desabafo, recomendo a leitura do ensaio “O Culto do Amador”, do Andrew Keen.

CP - A Mundo Livre se apropria de várias influências da música brasileira. Qual a participação da cultura musical latina no trabalho de vocês?

Fred – Cumbia, merengue, bolero, guitarrada... Todos esses temperos vivem embalando nossas festinhas desde sempre. Basta escutar com atenção faixas como “Carnaval na Obra”, “Soy Loco Por Sol” ou “Cabôcocopyleft”.

E, aproveitando o clima de integração latina, a Mundo Livre S/A indicou sete canções desse gênero que vai tomar conta da Capital a partir de semana que vem (e que você pode curtir logo abaixo):

Dicas de som do pessoal do Mundo Livre S/A by Mais Preza on Grooveshark

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 28 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio