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Na Berlinale, diretor sul-coreano Kim Ki-duk nega acusações de abuso físico e sexual

Cineasta apresentou neste sábado o longa "Human, Space, Time and Humans" na mostra alemã

Kim, de 57 anos, insistiu que "segurança e respeito" são prioridades máximas em todas as suas produções
Kim, de 57 anos, insistiu que "segurança e respeito" são prioridades máximas em todas as suas produções Foto : John MacDougall / AFP / CP
O diretor sul-coreano Kim Ki-duk, acusado de agressão física e abuso sexual, rejeitou neste sábado todas as acusações durante coletiva de imprensa no Festival de Cinema de Berlim, garantindo que ninguém "sofre" no conjunto de seus filmes de arte ultravioleta e sexualmente explícitos. O aclamado cineasta, que ganhou prêmios nos festivais de Cannes, Veneza e na própria mostra alemã, enfrentou uma série de perguntas obre as denúncias feita por uma atriz, em anonimato, durante a apresentação de seu longa "Human, Space, Time and Humans". Seu convite para a Berlinale levou mais de 100 organizações civis sul-coreanas a acusar os organizadores do evento de "hipocrisia", depois de terem se publicamente demonstrado apoio ao movimento #MeToo.

Kim, de 57 anos, insistiu que "segurança e respeito" são prioridades máximas em todas as suas produções. "Nós não queremos qualquer dano ao fazer um filme. Nós não queremos que ninguém sofra ao fazer uma obra", disse, falando através de um intérprete. "Não importa o quão fantástico é um filme, devemos nos certificar de que ninguém se sente insultado durante o processo e isso se aplica a todos, tanto o elenco como a equipe. Essa foi minha abordagem fundamental, por isso, lamento muito este incidente".

Perguntado se ele queria se desculpar com a atriz, o cineasta insistiu não ter conhecimento de qualquer erro por sua parte. "O que realmente estávamos fazendo era ensaiar uma cena. Estávamos no set, havia muitas pessoas presentes. Minha equipe naquela época não se opôs nem dizia que era inapropriado", ele argumentou. "Não lembro exatamente o que aconteceu, mas foi realmente relacionado à performance artística, à atuação. Acredito que a atriz interpretou esse incidente de maneira diferente do que eu".

Em dezembro do ano passado, uma atriz denunciou um mau comportamento do diretor durante as gravações do longa Moebius" (2013). A mulher acusou Kim de abusos físicos e sexuais, dizendo que o cineasta a agrediu e a obrigou a rodar cenas nuas e de sexo que não estavam no roteiro, antes de substituí-la por outra atriz. Os promotores negaram a acusação de abuso sexual acusando falta de evidência, mas multaram o diretor em cinco milhões de wars (cerca de 4,6 mil dólares) como procedimento para resolver casos menores fora do tribunal.

A atriz - que afirmou que encerrou sua carreira após o caso - apelou contra a decisão, mas par Kim o caso já estava fechado. "Já houve uma decisão neste caso e assumi a responsabilidade. Expliquei e respondi nem tribunal. O promotor público identificou a minha bofetada na atriz como problemática", disse. "Eu não concordo inteiramente com a decisão, mas acredito que esses processos também são parte integrante da mudança do sistema e nos ajudam a progredir no setor cinematográfico. Certamente, eu também vou ter isso em mente no futuro", analisou.

Neste sábado, Kim apresentou seu último longa, "Human, Space, Time and Human", que, como muitos dos seus filmes, inclui cenas de estupro brutais. Ele insistiu que o conteúdo frequentemente violento de seus filmes não refletia seu próprio comportamento. "Eu gostaria de ser um bom ser humano na minha vida. Minha vida diária não é como meus filmes e não gostaria de viver desse jeito. Por isso, não tire conclusões sobre minha personalidade por olhar meus filmes", pediu.

A atriz japonesa Mina Fujii, que interpreta Eve no filme, uma mãe alegórica da humanidade que é estuprada por cinco homens na tela, disse que teve uma boa experiência ao fazer o filme. "Trabalhar com Kim Ki-duk foi muito positivo, houve uma atmosfera agradável no set. Isso pode ser um pouco surpreendente quando você olha esse filme bastante especial", analisou. Na trama, em uma manhã de domingo, pessoas desconhecidas acordam dentro de um navio de guerra que não parece estar flutuando no mar. Durante a "viagem", a natureza humana é testada e revelada por diversas situações que exploram os limites da moral e da ética, mergulhando nas profundezas das emoções dos personagens.

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