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Na Semana das Crianças, Adriana Calcanhotto traz seu heterônimo infantil para lançar “O Quarto Partimpim”

Em entrevista, a artista fala sobre o álbum e como ficou comovida com a enchente no RS

Cantora Adriana Calcanhoto lança disco O Quarto Partimpim
Cantora Adriana Calcanhoto lança disco O Quarto Partimpim Foto : Leo Aversa / Divulgação / CP

“O Quarto Partimpim” é o novo disco de Adriana Calcanhotto, que teve lançamento no 10 de outubro nas plataformas digitais (Sony Music). A cantora e compositora quis lançar neste mês por vários motivos: é o mês do seu aniversário e do de Partimpim (heterônimo da artista para seus lançamentos infantis) e é o mês da Criança.

O primeiro disco “Partimpim” foi lançado em 2004. Ele foi seguido por “Partimpim 2” (2009) e “Partimpim Tlês” (2012). O nome “O Quarto Partimpim” brinca com o fato de quarto ser um lugar e um numeral.

Apesar de terem se passado 20 anos, Partimpim segue sendo criança, mas sabe que o mundo mudou. Adriana conta que a seleção de músicas para os trabalhos de Partimpim é longa. Algumas ela pensou desde o primeiro trabalho, outras ela foi acrescentando ao longo do processo.

Para “O Quarto Partimpim”, ela convidou Pretinho da Serrinha para a produção. “Ouvi o disco do Xande de Pilares cantando Caetano ("Xande Canta Caetano"), que é produzido pelo Pretinho da Serrinha. Eu gostei muito do som, dos timbres, do jeito que os ritmos são tratados ali. Eu fiquei viciada no disco um tempo, escutando, e depois eu fui entendendo que era mais ou menos aquela sonoridade que eu gostaria para o som de Partimpim”, conta a artista. Ao conversar com o produtor, ambos viram que era viável lançar o disco em outubro, o que se concretizou.

COMPOSIÇÕES

Entre as canções do disco, está “Estrela, Estrela”, uma composição do pelotense Vitor Ramil. A cantora conta que estava gravando o disco em maio, quando ocorreu a enchente no Rio Grande do Sul. Ao participar de um programa de TV com outros músicos gaúchos e solidário ao momento que o Estado vivia, pediram que ela escolhesse uma música de um compositor gaúcho para cantar. “Na mesma hora me veio ‘Estrela, Estrela’, de Vitor Ramil. É uma obra-prima, eu sempre amei essa canção”, revela. A escolha quis transmitir um pouco de delicadeza frente a tudo o que se estava vivendo no período.

Depois desta performance tocante, ela recebeu muitos pedidos, inclusive de seu irmão, para incluir esta música no disco. “Eu entendi que isso tinha a ver com o contexto, porque ‘atravessou’ o disco. Eu saía de casa no meio do pior momento das chuvas, me arrastando para ir até o estúdio cantar, enfim, é uma coisa que realmente não sei como é que eu fiz. Mas a estrela tá olhando para todo mundo, né? E coloca a gente num tamanho que é o tamanho que a gente deveria se colocar. Fala do tamanho da gente, inclusive em relação ao planeta”, diz.

Na opinião da artista, a situação da enchente também aborda a questão do desprezo, da negação e descuido com a questão climática. “Enfim, a canção meio caiu como uma luva nesse momento. Quando eu vi aquele cavalo caramelo naquele telhado, pensei que aquela estrela brilha para ele também, e que ela provavelmente estava refletida naquela água”, opina.

O disco conta com composições próprias e de artistas como Rita Lee, Marisa Monte e Jovem Dionísio. O disco é voltado ao público infantil (e aos adultos que ainda tem a sua criança interior). “O meu quarto”, canção que abre o disco, é um manifesto de intenções da obra, que traz a alegria e a leveza que Partimpim lança sobre a vida.

O disco tem mulheres nas letras e nas autorias. Uma delas é “Malala (O teu nome é música)”, sobre a jovem ativista paquistanesa que sofreu um ataque quando ia estudar. “Malala é uma canção que eu compus por encomenda para uma peça infantil que conta a história da Malala, que é uma heroína”, conta Adriana.

Sonhos e lendas também estão nas temáticas. “Boitatá” é uma parceria de Marisa Monte, seu filho Mano Wladimir e Arnaldo Antunes. “Quando a Marisa me mostrou o ‘Boitatá’, eu falei: eu quero essa música para Partimpim”, conta Adriana.

“Atlântida”, de Rita Lee, integra a seleção. Sobre os bastidores da gravação, Adriana lembra de um fato interessante. “Atlântida foi uma gravação comovente porque eu gravei exatamente no dia em que fez um ano que ela (Rita) virou estrelinha. Então foi uma gravação comovida, com a voz embargada”, revela.

“Os funis” aposta no nonsense. “Tô bem”, do grupo Jovem Dionísio, foi outra escolhida. Estas e as demais faixas trazem ritmos que alternam energia e serenidade. O disco é um convite à fantasia e ao sonho. “Faço o convite de inventar o mundo, de ser música, de ser cor, de ser poesia”, diz Adriana, como está em um verso de uma de suas canções.

Ouça a entrevista em áudio concedida ao Correio do Povo pelo link abaixo:

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