No relato da juventude do cineasta baiano no período entre 1939 e 1964, Motta acaba traçando panorama da geração que inscreveu o Brasil no mapa do cinema mundial. No livro, Nelson parte do nascimento em Conquista, refaz as andanças do artista por Salvador e recorda as primeiras experiências de Glauber no cinema: os curtas "Pátio" e "Cruz na Praça" e o longa "Barravento". "A história dele é um roteiro espetacular, cheio de clichês. É o garoto precoce, genial, que decide fazer cinema sob o impacto de 'Rio 40 Graus', de Nelson Pereira dos Santos".
Nelson Motta conta que decidiu escrever esta biografia e a de Tim Maia, "Vale Tudo" por amor e amizade a eles, não por ser biógrafo profissional. "No caso do Glauber, quis abordar os anos da juventude e não o fim de sua vida, que foi de sofrimento, frustrações e amargura", conta Nelson, que conheceu Glauber em 1964, na pré-estreia de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", no cine Ópera, no Rio.
Das descobertas sobre a juventude do cineasta, estão os interesses de Glauber por literatura, poesia e teatro. "A sólida formação literária e teatral ajudou Glauber na sua nova forma de fazer cinema." Nelson conta que na época retratada no livro, o mundo estava em transformação e o cinema era a forma de expressão mais atraente aos jovens. "Abordei só o início do Cinema Novo, mas como dizia o Nelson Pereira dos Santos: ''O Cinema Novo era quando Glauber estava no Rio'', pois ele inventou o negócio do movimento juntando cineastas de Cacá Diegues a Leon Hirszman", afirma Nelson, um apaixonado pela Feira do Livro. "É uma Feira orgânica, integrada à paisagem da cidade, com a gauchada que lê muito", fala o autor.