O conto homônimo traz um sádico narrando a um amigo sua tara de espetar mulheres num trem do subúrbio, enquanto em "O Bebê de Tarlatana Rosa", relembra suas aventuras eróticas no Carnaval. Os textos tratam de uma sociedade reprimida, seja no escuro da noite ou nas máscaras carnavalescas. O ritmo que Ney determinou na cena é introspectivo, o mesmo que imprime ao seu último trabalho, o CD "Beijo Bandido", com o qual está incursionando pelo país, após o ritmo intenso de "Inclassificáveis". No teatro, ele já havia dirigido "As Cinco Pontes de uma Estrela", em 1993. E no cinema, em breve será visto em "Luz nas Trevas", de Helena Ignez, continuação do filme "O Bandido da Luz Vermelha", ainda inédito.
Também nas estreias estão os uruguaios "Music Hall" e "Neva", respectivamente, às 19h, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736) e no Teatro de Câmara Túlio Piva (República, 575), às 22h. Dirigido por Diego Arbelo, o primeiro, de autoria de Jean Luc Lagarce, foca um trio de intérpretes em franca decadência artística, que vive das glórias do passado. Já o outro, de Guillermo Calderón e dirigido por Álvaro Correa, se passa em 1905, na Rússia, onde foca tropas militares que reprimem com violência trabalhadores enquanto três atores ensaiam "O Jardim das Cerejeiras", de Anton Tchekhov, num teatro em frente ao rio Neva. Ambas as peças seguem em curtíssima temporada até a próxima quinta-feira.