Em “Ninfomaníaca”, ele apresenta algo que pode ser entendido como a busca do domínio da sexualidade feminina. Essa busca surge na tela como uma espécie de sessão de terapia, na qual a mulher, Joe (Charlotte Gainsbourg na maturidade, Stacy Martin na juventude) confessa-se a Seligman (Stellan Skarsgard), um homem que a encontrou desacordada e ferida no meio da rua. Durante os 110 minutos desta primeira parte do filme, a sexualidade é levada ao extremo, espécie de idealização do êxtase, do gozo absoluto, contada pela própria protagonista, desde suas experiências infantis até o encontro de dois polos dissociados até então em suas experiências pessoais: o amor e o sexo.
A narrativa que emerge do diálogo entre Joe e Seligman constrói a colcha de retalhos da multifacetada e luxuriosa história da vida da moça. Atento, Seligman vai fazendo associações que enriquecem a trama e criam analogias: vão da arte da pesca até a criação musical, passando pelos comportamentos felinos e pela matemática mais profunda.
Lars Von Trier não é um diretor de puro entretenimento. Há densidade em seu cinema e, no mínimo, polêmica em suas posições. A polifonia narrativa de sua obra já foi sentida quando participou da criação do movimento Dogma 95. De lá para cá, polemizou tratando de questões como a submissão e diferentes formas de doenças mentais. É famosa a sua trilogia formada por “Dogville” (2003), “Manderlay” (2005) e “Washington” (ainda sem estreia prevista), em que apresenta uma espécie de peça de teatro filmada em um galpão da Suécia.
“Ninfomaníaca” é recheado de erotismo e sexualidade, e reúne atores que já trabalharam com o diretor anteriormente: Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe (que protagonizaram “Anticristo”, em 2009); e Skarsgard (este será o sexto filme do ator com o diretor). Também integram o elenco Shia LaBeouf, Uma Thurman e Jamie Bell. O “Volume 2”, deve estrear em março. Até lá, prepare-se e tente divertir-se, refletindo e aprendendo.