Em "Ninguém Falou Que Seria Fácil" os intérpretes encaram que estão no teatro. Não fingem um bebê que se comunica por grunhidos infantis, mas por uma estruturada argumentação. Quem viver uma velha, não precisa se curvar, e o cenário não precisa ser feito, vale ser dito e imaginado. "Partimos do princípio que a plateia quer acreditar na história. Sou abertamente um ator que representando um personagem, e combino com o público quem sou, naquele momento da narrativa", explica o autor, ator e co-diretor.
"Quando escrevi, possível graças a uma bolsa, minha filha estava com cinco anos, esses afetos relacionados com casamento, relações com pai, mãe, filho, irmãos, estavam muito presentes, e são fortes para mim como para qualquer pessoa", conta. Na primeira cena, um casal de férias em um país extrangeiro percebe que a filha de três anos se perdeu deles. Ao invés de imediatamente procurarem pelo neném, discutem hilariamente sobre quem foi o culpado".
"É feito dessas relações, sobre a passagem para a vida adulta, sobre assumir as responsabilidades da vida, deixar de ser filho e encarar o mundo de frente" define o autor. Na lógica do enredo, na qual três atores vivem diversos personagens, cuja troca pode se dar ali mesmo no palco, não há lógica. Até é possível se criar ligações entre os personagens, possíveis famílias, mas depende de cada espectador. Àquele que gosta de entender tudo, ele avisa: "O caminho é mais sensorial que buscar entender".
Um pouco afirmativo no sentido de mostrar que o negócio não é fácil mas vamos caminhar, a peça brinca com o cômico. "Um humor mais deslocado, como aquele riso largado frente à alguem que tropeça, que cai, frente ao inesperado", define. Um dos comentários após a peça servem para traduzir a sensação de quem gostou: "Saí energizada, querendo viver. Cheguei em casa e dei um abraço apertado especial em meu filho". A peça tem apresentações na terça e quarta.