Elie Wiesel, 83 anos e Prêmio Nobel de 1986, se declarou "escandalizado" com a participação do presidente do Parlamento húngaro, Lazlo Kver, membro do partido governista (Fidesz) do primeiro-ministro conservador Viktor Orban, em uma cerimônia para repatriar a sua cidade natal (atualmente na Romênia) as cinzas do escritor húngaro pró-nazismo Jozsef Nyiro.
"Estou inquieto e escandalizado com o fato do senhor ter participado, ao lado do secretário de Estado para a Cultura, Geza Szcs, e do presidente do partido de extrema-direita Jobbik, Gabor Vona, na cerimônia organizada em homenagem a Jozsef Nyiro", destacou Wiesel em uma carta. Nyiro era membro da direção do partido nazista.
Wiesel devolveu a Grande Cruz da República húngara, recebida em 2004. O governo húngaro considerou o "caso Nyiro" como "não político", pois seria apenas uma "questão de homenagem póstuma". Sob o comando do almirante Miklos Horthy, aliado da Alemanha nazista, foram adotadas leis antissemitas na Hungria e mais de meio milhão de húngaros de origem judaica foram vítimas do genocídio.
Em 1944, Elie Wiesel e sua família foram deportados pelos nazistas e os fascistas húngaros para o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, onde seu pai, sua mãe e uma de suas três irmãs foram assassinados.