"Pretender realizar estas grandes mudanças envolvendo uma praça e um parque que carregam as memórias de milhões de pessoas sem perguntar a opinião dos habitantes de Istambul, e tentar cortar à força suas árvores, é uma grande falha do governo Erdogan", afirmou o escritor. "Esta política insensível é resultado, sem dúvida alguma, da atitude cada vez mais autoritária e repressiva do governo", prosseguiu.
Autor de inúmeros romances sobre a cidade de Istambul, ele prestou homenagem aos manifestantes turcos: "Ver que eles não renunciam facilmente as suas memórias me dá confiança e esperança no futuro". Orhan Pamuk, de 60 anos, é um dos poucos intelectuais turcos a ter reconhecido publicamente, em 2005, o genocídio dos armênios.
Ele foi processado em várias ocasiões em seu país e também fez fortes críticas ao tratamento recebido pela minoria curda por parte do governo de Ancara. Pamuk é o autor turco mais vendido no mundo, com obras traduzidas para mais de 60 línguas. Também foi o primeiro turco a receber o prêmio Nobel de Literatura.