O escritor húngaro Imre Kertesz, autor de "Sem Destino" e vencedor do Nobel de Literatura em 2002, morreu nesta quinta-feira aos 86 anos, anunciou sua editora. Kertesz morreu durante a madrugada em sua residência de Budapeste após uma longa batalha contra o Mal de Parkinson.
Nascido em 9 de novembro de 1929, este judeu sobrevivente dos campos de extermínio nazistas foi o primeiro autor de língua húngara a receber o Nobel. "Kertesz foi um dos escritores húngaros mais influentes do século XX, não apenas por sua obra, mas também por seu pensamento e sua visão do mundo. Continuará sendo uma grande influência na literatura nos próximos anos", disse Nyary.
O autor foi deportado em 1944 a Auschwitz-Birkenau (Polônia), antes de ser transferido a Buchenwald (Alemanha) em 1945. Ao retornar para a Hungria, sofreu o terror do stalinismo e foi marginalizado pelo regime quando trabalhava como jornalista. "Foi um dos escritores judeus da Europa que não podiam pertencer a uma única nação devido a seus traumas e à perspectiva universal de sua obra sobre o Holocausto", afirmou Gabor T. Szanto, editor da revista literária húngara Szombat, que se encontrava regularmente com o escritor.
Sua obra mais conhecida, "Sem Destino", publicada em meio à indiferença em 1975, foi finalmente reconhecida como uma obra que "sustenta a frágil vivência do indivíduo contra a bárbara arbitrariedade da História" e "defende o pensamento individual contra a submissão ao poder político", segundo o júri do Nobel. O livro evoca, de forma sóbria, irônca e distanciada, a vida do jovem deportado que ele foi.
Kertesz, da mesma forma tradutor de literatura alemã, é também autor de "Kaddish para uma Criança que não Vai Nascer, "Eu, um outro" e "Liquidação". Seu último livro, "A Última Pousada", que será publicado em breve, inclui diários íntimos entre os anos 2001 e 2009, que constituem "um testemunho visceral e às vezes perturbador de suas experiências nesse período", segundo a editora espanhola da obra. "Imre Kertész foi um visionário, apesar de também um homem simples e amável, que todos nós amamos muito", afirma sua editora francesa, Martina Wachendorff-Pérache, no site da Actes Sud.
Nobel de Literatura, Imre Kertesz morre aos 86 anos
Escritor húngaro sofria do Mal de Parkinson