Acompanho a obra do uruguaio Jorge Drexler a partir do quarto disco, “Sea” (2000), que trazia a faixa-título, além de “Me Haces Bien”, “Tamborero” e “O Pianista do Gueto de Varsóvia”. Já fiz entrevistas com ele e atualmente ele é muito bem entrevistado aqui no jornal pelo colega Marcos Santuario. O que posso dizer é que o 15º álbum do músico, “Taracá”, lançado em março, é uma volta a uma marca dos primeiros discos onde o candombe uruguaio aparecia em todo seu esplendor. O disco tem 11 faixas inéditas ou releituras, incluindo a versão em espanhol de "O Que É, O Que É", de Gonzaguinha, batizada como ¿Qué Será que Es?”.
Antes de continuar a falar do disco, é importante dizer que Drexler se apresenta ainda neste sábado, 30, às 21h, e no domingo, 31, às 19h, no Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685), com poucos ingressos restantes para a sessão de domingo pela Sympla.
Para voltar a falar do disco, posso dizer que o show deve abrir com as duas primeiras de “Taracá”: “Toco madera” e “¿Cómo se ama?”. Com o embalo meio candombe, meio balada, o tocar madeira de “Toco Madera’ nos coloca entre o ator de tocar tambor e aquela superstição de afastar as coisas ruins. A segunda faixa traz aquele embalo pop para as canções de amor que seguem o compositor romântico.
Outra canção do disco que aparece no show é “Las Palabras”, uma parceria com Falta y Riesto, uma murga do bairro de Capurro, de Montevidéu. “La gente pasa, pero las palabras quedan” (as pessoas passam, mas as palavras ficam), mostrando toda a sua poesia e o seu engenho de composição.
É claro que o show terá também “El tambor chico”, que tem a citação do título do disco, com o percussivo termo “taracá”, que pode ser “estar acá” e que no álbum tem a participação da Rueda de Candombe; além da versão da música de Gonzaguinha, de “Amar y ser Amado” e “Cuando cantaba Morente”. A faixa que me parece a mais bem elaborada do disco é “Ante la duda, baila”, um tratado social sobre a dança como expressão mais pura de povos hispanos e as tentativas ao longo da história de proibir danças populares como zarabanda, chuchumbé, reggaeton e tango. No show, ela vem acompanhada da também tamborilada “Bailar en la Cueva”, faixa-título do disco de 2014. E pensem que “Tocarte”, “Mi Guitarra y Vos”, “Al Otro lado del Río” e “Todo se Transforma” também estão no setlist. Será noite para bailar e reverenciar este gênio da criação musical.