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Novo livro de Leonardo Menegatto aborda amizade, culpa e identidade através do realismo fantástico

“Na Estranha Imagem Entre Nós” conta com ilustração original assinada por Carina Mello na capa

Leonardo é um escritor que transita entre o realismo fantástico, a poesia e a literatura infantojuvenil
Leonardo é um escritor que transita entre o realismo fantástico, a poesia e a literatura infantojuvenil Foto : Arquivo Pessoal / Divulgação / CP

Após anos dedicado aos números e à linguagem científica, o engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Genética Leonardo Menegatto decide descansar a calculadora e abrir espaço para o realismo fantástico com prosa livre, poética e profunda, conduzida pelo fluxo do pensamento. Essa virada marca sua segunda obra, “Na Estranha Imagem Entre Nós”, publicada em 2025 pela editora Toma Aí Um Poema.

Inspirando-se em referências universais, como a intertextualidade com “O Espelho”, de Machado de Assis, a barata como símbolo de despersonalização em “A Metamorfose”, de Kafka, e a introspecção existencial de “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, Menegatto constrói uma narrativa simbólica e inquietante. O leitor acompanha um narrador em crise, um homem que, diante do reflexo, já não se reconhece.

O protagonista busca justificar para si próprio o rompimento de uma amizade de infância com base em valores como masculinidade tóxica, pragmatismo, materialismo e modernidade, pilares que acabam por ferir o outro e a si mesmo. Na tentativa de se convencer de que fez o certo, ele mergulha em uma confusão mental que atinge o auge na manhã seguinte, quando encara o espelho e se choca com o que vê.

A partir desse momento, atravessa sentimentos de vergonha, culpa e inveja, reconhecendo seus traços mais narcisistas e egoístas, além das crenças falhas que o levaram a romper uma amizade marcada por diferenças sociais. O enredo se articula como capítulos de uma mesma deterioração e explora temas como a amizade, a culpa e a metamorfose. Há ecos de Wilde e Dostoiévski, mas filtrados por uma linguagem contemporânea, fluida e vertiginosa.

A prosa de Menegatto é elegante e violenta, filosófica e sensorial. O texto transita entre o delírio e a lucidez com rara precisão, e cada momento parece funcionar como uma camada a mais na decomposição da identidade. O resultado é um livro que desafia o leitor a olhar para dentro e a suportar o que vê.

"Na Estranha Imagem Entre Nós" fala sobre o horror de ser humano, mas também sobre a possibilidade de reconhecer, nas ruínas, alguma forma de salvação. A capa e as ilustrações perturbadoras de Carina Mello não apenas dialogam com o livro, como o antecipa, convidando-nos a encarar o que há de mecânico, brutal e sensível entre nós.

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