Os pedidos antecipados ultrapassam um milhão de cópias e os livreiros britânicos esperam que a ficção se torne a mais vendida do ano. "É um dos maiores lançamentos do século XXI", disse à AFP Philip Stone, diretor das listas de best-sellers da revista The Bookseller. "Eu acredito que 99,9% de nós (do setor) prevemos que irá diretamente para o número um dos mais vendidos", acrescentou.
A bilionária JK Rowling, de 47 anos, não terá, portanto, nenhum motivo para se preocupar se os críticos não gostarem de sua primeira incursão no romance para adultos. "Eu sou a escritora mais livre do mundo. Posso fazer o que eu quiser", declarou recentemente ao The Guardian. "Se todo mundo disser, 'bem, é terrivelmente ruim, volte para seus magos', obviamente não darei uma festa, mas vou sobreviver", acrescentou.
A nova editora de Rowling, a Little, Brown, divulgou alguns detalhes do texto, e outros foram comentados pelo seleto grupo de jornalistas que teve acesso ao livro, sob uma segurança semelhante ao do auge da Pottermania. O romance, que transcorre em Pagford, uma cidade aparentemente idílica no sudoeste da Inglaterra, começa com a morte de um vereador local.
Esta morte faz com que uma parte dos moradores comece a planejar um esquema para encontrar um substituto que simpatize com a sua causa: libertar a classe média da convivência com um sórdido conjunto habitacional. "Nossa sociedade é extremamente esnobe e este é um bom filão. A classe média é muito engraçada", disse JK Rowling ao Guardian.
O livro, que aborda questões como a dependência de heroína, prostituição, família monoparental e o desejo adolescente, é uma mudança radical em relação aos seus sete romances de fantasia sobre os bruxos adolescente que enfrentam o malvado Voldemort. "Há algumas coisas que não estão na literatura de fantasia", explicou à revista New Yorker. "Não há sexo entre unicórnios. É uma regra estrita. É de mau gosto".
Mãe de três filhos, hoje JK Rowling é uma loira glamourosa com mansões em Edimburgo e Londres. Sua fortuna é estimada em 560 milhões de libras (907 milhões de dólares), de acordo com o Sunday Times, graças aos oito filmes, parques temáticos, brinquedos e videogames inspirados pela saga.
Mas no início dos anos 1990, quando escreveu seu primeiro romance de Harry Potter em cafés de Edimburgo, era uma mãe solteira, que lutava com a depressão e sobrevivia graças a subvenções públicas com sua filha, fruto de um casamento desastroso com um jornalista português. Essa experiência foi uma das inspirações para "The Casual Vacancy", assim como ter passado a sua juventude em uma cidade como Pagford.
"Lembrei-me claramente do que é ser uma adolescente, e não foi um momento particularmente feliz da minha vida", contou ao The Guardian. Sua mãe foi diagnosticada com esclerose múltipla quando ela tinha 15 anos e ela sempre teve uma relação difícil com seu pai.
A escritora trabalha agora em dois outros livros para crianças. O que fará em seguida dependerá do seu modo de transporte, já que Harry Potter nasceu em um trem e "The Casual Vacancy" em um avião. "Obviamente, eu tenho que estar em algum tipo de veículo para ter uma ideia decente."