A partir desta segunda-feira até o próximo dia 31, Pelotas é o palco do que há de melhor na música de concerto da América Latina. A movimentação começou no domingo com a chegada de professores e alunos de outras cidades e países. A direção da Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel) projetou um aumento de 30% no fluxo durante os dias de evento.
O festival reúne estudantes e profissionais de diversas regiões do Brasil e do mundo. Segundo a administração da Eterpel, os serviços do terminal seguem funcionando normalmente, com a garantia de que eventuais mudanças na operação serão comunicadas com antecedência.
Conforme o diretor do Sesc Pelotas, Luis Fernando Parada, a expectativa para o Festival é enorme. Ele conta que em cada lugar da cidade que anda as pessoas perguntam onde começa, onde podem pegar os ingressos gratuitos. “É um momento de festa para Pelotas, para a região e para o Estado que recebe novamente um dos maiores festivais de música da América Latina”, destaca.
A expectativa dos organizadores é que pelo menos 40 mil pessoas prestigiem o evento, que terá 63 apresentações distribuídas em 12 dias. Além dessas haverá ao menos 20 que serão realizadas no comércio local. “Iremos levar para as lojas, os locais de serviço e os hotéis o evento até como forma de agradecimento aos empresários, pois são eles quem mantém o Sesc e permitem que se possa investir em cultura por meio do festival”, justifica.
Nesta segunda-feira, por volta das 18h, começa o cortejo musical pelo Centro da cidade, abrindo o evento. Também estão entre os palcos o Teatro Guarany, o Mercado Público e a Praia do Laranjal. Devem ocorrer também apresentações na zona rural. “Orgulhosamente dizemos que o festival é de Pelotas. Ele é um grande agradecimento a população que recebe tão bem este projeto. É da cidade por todo o carinho, o gosto do pelotense pela música de concerto”, afirma.
Parada destaca que neste ano o Sesc nacional fará o encontro de técnicos, profissionais responsáveis por Orquestras Jovens do Sesc no país. “Na segunda semana teremos integrantes de orquestra de 13 Estados. Eles vão formar a Orquestra Jovem Sesc Brasil com em torno de cinco músicos de cada Estados. Eles são formados pelo projeto de musicalização do Sesc dos Estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso Do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Roraima e Sergipe, além de, alunos das orquestras Estudantil do Areal e Municipal de Pelotas”, destaca.
Na programação, o diretor destaca alguns eventos, como o concerto no Laranjal, que será no dia 25. “Tem dois, um com a Banda Sinfônica Acadêmica e outro que será um tributo à resiliência e união do povo gaúcho devido às enchentes do ano passado. Será uma apresentação com canções ligadas à cultura do RS nas vozes icônicas de Loma Pereira, Shana Muller e Daniel Torres, com a regência de Evandro Matté”, informa.
O Grupo Experimental de Música, Reciclagem e Instalação Sonora (GEM) irá se apresentar no Theatro Guarany no dia 21. O grupo paulista existe desde 2013 e trabalha na construção de instrumentos musicais com material reciclado.
No dia 23, às 20h, o grupo uruguaio La Ventolera, que é uma orquestra uruguaia que mescla a música instrumental com o tambor candombe, típico do país vizinho, se apresenta. O objetivo é celebrar a herança afro latina de Pelotas resgatando memórias e ritmos da história das charqueadas.
Parada ainda destacou o concerto de encerramento, que será ao lado do Mercado Público no dia 31, às 20h. Na ocasião, haverá apresentação da Orquestra Sinfônica Acadêmica. A orquestra é formada pelos alunos do festival. O coral da Sociedade Pelotense Música Pela Música também participará do evento.
Estudantes têm aprimoramento
Cerca de 350 alunos vão estudar música de concerto durante o 13º Festival de Música Sesc. “Cinquenta professores estão em Pelotas especialmente para o evento”, diz Luis Fernando Parada, do Sesc. Entre os estudantes, já inscritos, há os que chegam de outros locais e também os de Pelotas, como é o caso do Marlon Molina, de 19 anos. Ele conta que foi aluno da Orquestra Municipal Estudantil da Professora Lys Márcia, mas atualmente estuda Bacharelado em Música na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
O jovem, que concluiu o curso de violino no Conservatório de Música, participa pela quarta vez do Festival. “Como este é o quarto ano em que tenho o privilégio de participar, e cada edição renova em mim a certeza de que todo o esforço vale a pena. É como se as horas incontáveis de estudo, as cordas que se romperam no caminho e os momentos de dedicação intensa se transformassem em música viva e compartilhada”, observa.
Para Molina a atmosfera do Festival é única. “Não é apenas um evento, mas um ponto de encontro de talentos, histórias e sonhos. Os professores e alunos que vêm de diversas partes do Brasil e do mundo enriquecem a experiência com suas perspectivas e vivências. Essa troca é um aprendizado constante, tanto pessoal quanto musical”, opina. Para ele tocar violino nesse ambiente, cercado de pessoas apaixonadas pela música, é um lembrete de por que escolheu esta profissão. “Minha expectativa para a edição deste ano é alta. Estou determinado a entrar para a orquestra acadêmica, participar de todos os eventos e aproveitar cada oportunidade de aprendizado. Quero me aperfeiçoar ainda mais como músico e viver intensamente cada momento do festival. Espero que esta seja a melhor edição de todas, uma experiência que marque minha trajetória e inspire ainda mais minha paixão pela música”, conclui.