Arte & Agenda

O azul, branco e vermelho das produções francesas nas telas

O Festival de Cinema Francês do Brasil, em sua nova edição, vai celebrar uma tradição vibrante, reunindo as produções francesas contemporâneas

Isabelle Huppert apresenta seu novo longa ‘A Mulher Mais Rica do Mundo’, de Thierry Kliffa
Isabelle Huppert apresenta seu novo longa ‘A Mulher Mais Rica do Mundo’, de Thierry Kliffa Foto : Synapse Distribution / Divulgação / CP

Luzes, câmera… joie de vivre! Chega mais uma vez o momento mágico em que o Brasil se veste de azul, branco e vermelho, não na bandeira, mas na tela grande. O Festival de Cinema Francês do Brasil, antigo Varilux, que começa nessa semana, entre 27 de novembro e 10 de dezembro, alcança enorme público em cinemas de todo o Brasil. Criado em 2008 pela UniFrance com apoio da Embaixada da França e das Alianças Francesas, o festival se tornou um marco. Fora da França, passou a ser reconhecido como o maior evento dedicado ao cinema francês no mundo.

Mais do que um festival, o evento é uma festa cultural que atinge dezenas de cidades brasileiras. É uma celebração do diálogo franco-brasileiro, especialmente significativa neste ano simbólico em que o Brasil é homenageado na França e a França retribui com um olhar generoso sobre sua produção audiovisual entre nós.

Mas para entender por que esse festival é tão especial, precisamos voltar no tempo e mergulhar na rica tradição do cinema francês. Foi na França que nasceram muitos dos alicerces da sétima arte: o país de Lumière, dos grandes poetas da imagem e dos cineastas que transformaram lentes e narrativas. Ao longo das décadas, diretores como Jean Renoir, Marcel Carné, Jean Cocteau e tantos outros moldaram a linguagem cinematográfica. E nos anos 60, uma revolução silenciosa, mas poderosa, veio por meio da Nouvelle Vague: jovens cineastas como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Agnès Varda e Claude Chabrol romperam com o cinema tradicional, criando filmes de baixo orçamento, com câmera na mão, saltos de edição e histórias existenciais.

Um dos marcos desse movimento é “À bout de Souffle” (em português, “Acossado”), de Godard: rodado em poucas semanas, com improvisação, sem um roteiro completo, tornou-se um manifesto estético da Nouvelle Vague com seu uso de jump cuts e personagem à deriva. A influência desse cinema de autor foi profunda. Movimentos de contracultura, cineclubes e até a estética crítica do Cinema Novo brasileiro beberam dessa fonte de liberdade e invenção.

Avançando para a contemporaneidade, a França segue sendo um viveiro criativo: dramas sensíveis, comédias ousadas, thrillers engenhosos, documentários impactantes e animações inventivas. O Festival de Cinema Francês do Brasil traz esse panorama moderno, apresentando filmes inéditos, muitos deles premiados em Cannes, Veneza e outros festivais internacionais.

Nesta festa cinematográfica, alguns títulos se destacam de maneira especial. Seis longas-metragens exibidos no Festival de Cannes em maio último, sendo cinco deles inéditos em solo brasileiro. Entre os destaques estão “O Segredo da Chef” (“Partir un Jour”), de Amélie Bonnin, longa que abriu o evento, e “Jovens Mães” (“Jeunes Mères”), de Jean-Pierre e Luc Dardenne, que conquistou o prêmio de Melhor Roteiro.

O Festival também presta homenagens especiais. Em 2024, celebrou o icônico Alain Delon com a exibição de clássicos como “O sol por testemunha”. Este ano, vencedora de prêmios como o Bafts, César e Globo de Ouro e considerada um dos maiores nomes da história do cinema francês, a atriz Isabelle Huppert desembarca no Rio de Janeiro para o evento na noite de abertura. Ela apresenta seu novo longa “A mulher mais rica do mundo”, de Thierry Kliffa, na noite desta quinta-feira, dia 27, no Cine Odeon. Depois da temporada carioca, Huppert segue a Salvador, divulga o filme e aproveita para conhecer a região.

É nesse espírito de festa e ponte cultural que o Festival, assume papel simbólico ainda mais forte. Em ano marcado pelo intercâmbio cultural entre os dois países, torna-se farol, ilumina a herança do cinema francês e também a parceria artística que une Brasil e França.

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